Lula recusou negociar bom acordo para o Brasil, diz Rubio

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O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quinta-feira (16) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “colocou o próprio ego à frente de um acordo” que beneficiaria os brasileiros. A declaração foi publicada em sua conta no X, horas após o governo Donald Trump confirmar a imposição de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com vigência a partir de 22 de julho .

“Para que não haja confusão sobre o motivo: o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé. Suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros. No último ano, Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”, escreveu Rubio .

A justificativa americana

A tarifa de 25% foi anunciada após uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) ao amparo da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O órgão apontou práticas brasileiras consideradas desleais em seis áreas: comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais, enfraquecimento no combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal .

O USTR concluiu que o Brasil adota políticas que favorecem o sistema PIX, colocando empresas americanas do setor de pagamentos eletrônicos em “desvantagem injusta”. A decisão americana também cita restrições ao etanol dos EUA e decisões judiciais brasileiras contra plataformas digitais como motivos para a sobretaxa .

A medida afeta cerca de US$ 15 bilhões em exportações brasileiras anuais, segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), mas exclui produtos importantes da pauta brasileira, como carne bovina, café, petróleo, gás e componentes aeroespaciais da Embraer .

A versão do governo brasileiro

O governo Lula reagiu com duras críticas à decisão americana. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, classificou o tarifaço como um “marco lastimável” nas relações bilaterais e afirmou que os EUA exigiram uma “capitulação” do Brasil nas negociações .

“Claramente, o que incomoda o governo dos Estados Unidos é o fato de o Brasil não ter se curvado às pretensões desmedidas e às demandas irrazoáveis apresentadas no curso das negociações”, declarou Vieira em pronunciamento no Itamaraty. Segundo o chanceler, Washington defendia a abertura “total, irrestrita e exclusiva” de setores sensíveis da economia brasileira, sem oferecer concessões equivalentes .

Integrantes do Itamaraty rebatem a acusação de Rubio de que o Brasil não negociou de boa-fé. Segundo o governo, foram realizadas mais de 30 reuniões presenciais, virtuais ou por telefone desde o início das negociações, incluindo 11 contatos com o próprio Rubio ou com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer .

Na avaliação da equipe presidencial, o governo Trump agiu de má-fé e estaria criando uma narrativa alinhada com a do pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, que já havia declarado publicamente que Lula “não quis negociar” .

Contradição no discurso americano

As declarações de Rubio contrastam com a versão oficial apresentada pelo USTR. Em entrevista coletiva, uma autoridade do órgão rejeitou a tese de motivação política: “Eu rejeito isso totalmente. Não se trata de gostar ou não das decisões políticas de outro país”, respondeu ao ser questionado sobre o caráter político da decisão .

O representante americano afirmou que as conversas com o Brasil ocorreram em “tom cordial” durante todo o processo, e que os EUA seguem abertos a negociações para promover mudanças nas práticas identificadas como problemáticas .

O que vem agora

O governo brasileiro anunciou que iniciará “imediatamente” os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica e planeja recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) . A tarifa adicional de 25% soma-se às alíquotas já existentes — um produto que pagava 5% de imposto de importação passará a pagar 30% .

O governo americano afirmou que a tarifa poderá ser modificada ou suspensa caso o Brasil elimine as práticas questionadas. No entanto, a retórica de Rubio e a proximidade entre o secretário de Estado e Flávio Bolsonaro — que esteve reunido com ele em maio e pediu que as tarifas fossem adiadas para depois das eleições brasileiras — alimentam a percepção de que a crise comercial ganhou contornos políticos .

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