Colômbia: presidente eleito reata laços com Israel rompidos por Petro

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O presidente eleito da Colômbia, Abelardo de la Espriella, anunciou que restabelecerá integralmente as relações diplomáticas com Israel a partir de 7 de agosto, data de sua posse, revertendo a decisão histórica do governo de esquerda de Gustavo Petro, que rompeu os laços com o país em maio de 2024 em protesto contra a ofensiva militar em Gaza .

A mudança radical na política externa colombiana inclui a abertura de uma embaixada em Jerusalém, a retirada do apoio ao processo contra Israel na Corte Internacional de Justiça (CIJ) e a retomada da cooperação econômica e militar, tradicional pilar da relação bilateral .

O anúncio foi feito após uma reunião em Washington entre o chanceler designado, Omar Bula Escobar, e o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa’ar, na quarta-feira (15). Os diplomatas acordaram um “roteiro detalhado” para a normalização rápida das relações, incluindo a eliminação recíproca de vistos e a nomeação imediata de embaixadores .

“A Colômbia foi uma grande amiga de Israel, e essa amizade vai regressar mais forte do que nunca”, declarou Sa’ar em publicação na rede social X .

Ruptura histórica e reação de Petro

A decisão de De la Espriella enterra a política externa do presidente Gustavo Petro, que em 1º de maio de 2024 rompeu relações com Israel, classificando o governo de Benjamin Netanyahu como “genocida” em meio à guerra na Faixa de Gaza . Na ocasião, o presidente colombiano afirmou que “os tempos do genocídio, do extermínio de um povo inteiro diante de nós, não podem chegar” .

Petro reagiu com duras críticas à decisão de seu sucessor. “Abelardo, você se torna um cúmplice de genocídio e seus colaboradores se sujam de sangue de inocentes”, escreveu o presidente em sua conta no X . O governo de Petro também havia suspendido a compra de armas israelenses, interrompido as exportações de carvão e apoiado a denúncia da África do Sul contra Israel na CIJ .

Mudança estratégica

De la Espriella, apoiado pelo presidente americano Donald Trump, que transferiu a embaixada dos EUA para Jerusalém em 2018, justifica a retomada dos laços como uma reconstrução da “relação histórica” que o governo Petro “rompeu de forma unilateral” . O novo governo colombiano também planeja fortalecer a cooperação com Israel no combate a grupos armados financiados pelo narcotráfico, que operam no país .

A transferência da embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, onde a maioria dos países mantém suas representações, é um movimento simbólico que alinha a Colômbia com a posição americana e se afasta do consenso internacional, que considera o status da cidade como uma questão a ser resolvida em negociações de paz .

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