Aliados de Flávio tentam unificar direita e campanha do PL após carta de Bolsonaro

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A divulgação da carta manuscrita do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desencadeou uma ofensiva de aliados do parlamentar para reforçar o discurso de unidade no campo conservador. A mensagem, lida em transmissão ao vivo nas redes sociais no último sábado (11), é vista como um movimento para estancar o racha no partido e conter os efeitos de uma sequência de episódios que desgastaram a imagem do pré-candidato .

Queda nas pesquisas e crises internas acendem alerta

A movimentação ocorre em meio a um cenário delicado para a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira (15) apontou uma queda nas intenções de voto do senador, que passou de 32% para 27% entre os eleitores independentes entre março e julho. No mesmo período, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avançou de 27% para 40% nesse segmento .

O recuo coincidiu com uma série de crises. No fim de junho, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tornou público um conflito com o enteado, afirmando ter sido “humilhada” e “apunhalada” . Antes disso, Flávio já havia sofrido desgaste com a revelação de que buscou recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente .

Carta pede união e coloca Flávio como “porta-voz”

No documento intitulado “Carta aos Brasileiros”, Jair Bolsonaro conclamou apoiadores a deixarem “de lado as possíveis diferenças” para se empenharem pelo “pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, a melhor opção para livrarmos o Brasil da corrupção, da violência e empobrecimento” . O ex-presidente também definiu o senador como seu “porta-voz” e afirmou confiar nele para “resgatar o Brasil” .

A mensagem é interpretada por aliados de Flávio como um chamado para unificar o partido e lideranças da direita em torno da candidatura de oposição a Lula . O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, justificou a carta afirmando que “os eleitores são do Bolsonaro” e que a mensagem ajuda a transferir esses votos para o filho .

Reações e tensões internas

A tentativa de unificação, no entanto, expõe as divisões internas. Enquanto deputados como Nikolas Ferreira (PL-MG) e Marcos Pollon (PL-MS) defenderam publicamente o apelo por união , aliados de Michelle Bolsonaro avaliam que a carta piorou a relação . A ex-primeira-dama deixou a presidência do PL Mulher em junho e criou recentemente o perfil “Imparáveis MB” no Instagram, em mais um movimento de afirmação política .

Nos bastidores, a avaliação de que a carta consolida o isolamento de Michelle já circula entre interlocutores da legenda . Valdemar Costa Neto, por sua vez, afirmou esperar que a mensagem resolva os conflitos e leve Michelle a entrar “na campanha para valer”, sob o argumento de que a derrota nas eleições agravaria a situação de Bolsonaro .

Decisão de Moraes amplifica efeitos e complica cenário

A estratégia de reforçar publicamente a candidatura de Flávio produziu desdobramentos judiciais. Dois dias após a leitura da carta, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu por 90 dias as visitas do senador ao ex-presidente e determinou o envio do caso ao Ministério Público Eleitoral (MPE) para apurar eventual prática de propaganda eleitoral antecipada .

Para o ministro, a manifestação pode ter servido para contornar as medidas cautelares impostas a Bolsonaro, que está em prisão domiciliar e proibido de utilizar redes sociais . A campanha de Flávio pode ser multada em até R$ 25 mil pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) caso a divulgação da carta seja considerada propaganda antecipada .

Especialistas apontam desafios

Para cientistas políticos, a ofensiva reflete uma tentativa de reorganizar a base eleitoral de Flávio em um momento crítico. “O desgaste de Flávio Bolsonaro com o caso Dark Horse diminui sua credibilidade e coloca em xeque as críticas ao governo Lula”, afirma Hilton Fernandes, cientista político da Fesp-SP .

O principal desafio da campanha, segundo pesquisadores, é recuperar o eleitor de centro-direita sem perder o núcleo bolsonarista, enquanto Lula amplia sua capacidade de atrair o eleitorado independente . A carta de Bolsonaro, nesse contexto, surge como um ato de autoridade do patriarca para tentar conter a sangria.

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