PL acelera pressão sobre Michelle após recuo de Ibaneis e articula chapa para Senado no DF

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A desistência do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) de disputar o Senado pelo Distrito Federal mexeu profundamente no tabuleiro político da capital e intensificou a ofensiva do PL para convencer a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro a entrar de vez na corrida eleitoral. Na avaliação da cúpula do partido, a ausência do emedebista reduz a dispersão de votos entre eleitores conservadores e amplia as chances de a legenda conquistar as duas vagas em disputa na Câmara Alta .

O presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, deve se reunir nos próximos dias com Michelle para tratar do tema, em mais uma tentativa de convencê-la a aceitar o convite. O partido já tem um acordo com a governadora Celina Leão (PP), que garantiu à legenda a indicação dos dois candidatos ao Senado: Michelle e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) .

Apesar da nova ofensiva, a ex-primeira-dama ainda não bateu o martelo. Aliados afirmam que a decisão continua em aberto e será tomada em conjunto com o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar, antes do início das convenções partidárias — previstas para ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto . Entre os fatores que pesam na escolha estão a saúde do marido e o impacto que uma campanha teria sobre sua agenda nacional de viagens com o movimento “Imparáveis”, voltado à mobilização de mulheres conservadoras .

Ibaneis fora, PL reorganiza estratégia

O recuo de Ibaneis, que pretendia concorrer ao cargo após deixar o governo do Distrito Federal, foi motivado pelo desgaste provocado pelas investigações sobre o caso do Banco Master. O ex-governador teria mantido conversas com o empresário Daniel Vorcaro durante as tratativas para a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB), ainda que não seja formalmente investigado . Desde que assumiu o comando do GDF, Celina Leão tem buscado se distanciar do antecessor.

Com a saída de Ibaneis, o PL vê um cenário mais favorável para emplacar suas duas pré-candidatas. Dirigentes da legenda acreditam que a candidatura de Michelle, ao lado de Bia Kicis, aumentaria significativamente as chances de o partido conquistar as duas cadeiras em disputa no Senado, replicando a estratégia adotada em Santa Catarina, onde o PL aposta em Carlos Bolsonaro e Carol de Toni .

Levantamento do instituto Meio/Ideia apontou Michelle como a mulher mais poderosa do país na avaliação espontânea de 15,4% dos entrevistados, superando a atual primeira-dama, Janja, citada por 9% . Para o cientista político Rodrigo Augusto Prando, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Michelle já ocupa um espaço político próprio. “Por ter assumido a presidência do PL Mulher, ela não é figura periférica do espólio: é um centro autônomo de legitimidade dentro do mesmo movimento”, afirma .

Atritos internos e indefinição

A pressão do PL ocorre em meio a atritos recentes entre Michelle e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. A ex-primeira-dama chegou a expor publicamente ter sido “maltratada e humilhada” pelo enteado, o que a levou a cogitar a desfiliação do partido e a desistência da vida política . Apesar do episódio, aliados avaliam que sua influência política permanece preservada e que ela continua sendo uma das principais lideranças do campo conservador .

Valdemar da Costa Neto, que já havia se encontrado com Michelle no final de junho, admitiu que ela sinalizou a intenção de não disputar o Senado. “Ela falou para mim que não queria ser mais candidata”, afirmou o dirigente em entrevista à CNN Brasil . Na ocasião, ele tentou convencê-la a rever a decisão: “Eu falei: isso é um prejuízo para o partido muito grande. A senhora se elege senadora, fica oito anos, vai aprender, vai ter uma base boa para seguir em frente na política, porque a senhora é nova” .

Caso Michelle mantenha a resistência, Valdemar já sinalizou que a alternativa seria o senador Izalci Lucas (PL) assumir a vaga na chapa, mantendo o veto à candidatura do parlamentar ao Palácio do Buriti e reafirmando o apoio à reeleição de Celina Leão .

A “chapa ideal” para 2026

Nos bastidores, a articulação em torno de Michelle extrapola as fronteiras do Distrito Federal. Integrantes da cúpula do PL avaliam que sua candidatura ao Senado fortaleceria não apenas a chapa no DF, mas também as campanhas de candidatos da direita em outras regiões do país. A ex-primeira-dama reúne um eleitorado próprio, especialmente entre mulheres e evangélicos, e mantém capacidade de mobilização nacional .

O próprio Valdemar da Costa Neto já declarou publicamente que Tarcísio de Freitas e Michelle Bolsonaro seriam a “chapa ideal” para a Presidência da República, em um movimento que sinaliza a força política da ex-primeira-dama para além da disputa distrital. A declaração, feita em meio às negociações para as eleições de 2026, reforça a avaliação interna de que Michelle é um ativo estratégico do PL no cenário nacional.

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