PF mira publicitário suspeito de promover campanha contra o BC a pedido de Vorcaro

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A investigação da Polícia Federal sobre o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, revelou um sofisticado esquema de comunicação que vai muito além da simples defesa de reputação. O que veio à tona com o chamado “Projeto DV” é um verdadeiro manual de como estruturar uma campanha de manipulação em massa utilizando influenciadores digitais, expondo as fraturas do ecossistema da comunicação contemporânea e o perigo do marketing sem limites éticos .

Segundo depoimentos e documentos obtidos pela imprensa, Vorcaro teria encomendado um plano de recuperação de imagem ao publicitário Thiago Miranda, dono da agência Mithi, após ser solto pela primeira vez . A reunião que deu origem ao projeto ocorreu na casa do banqueiro em 12 de dezembro de 2025, onde Miranda apresentou uma apresentação de 63 páginas com um custo mensal de R$ 3,5 milhões .

O objetivo era explícito: conter a “crise de reputação” do Master e desgastar o Banco Central, que havia liquidado a instituição . Para isso, a agência contratou influenciadores digitais, muitos com milhões de seguidores, para replicarem conteúdos que colocavam em xeque a decisão da autoridade monetária .

O esquema, batizado de “Projeto DV” (em referência às iniciais de Daniel Vorcaro), recrutou cerca de 40 perfis nas redes sociais . A estratégia era simples, porém eficaz: um briefing era enviado aos influenciadores com os argumentos e matérias que deveriam ser repercutidos, como a reportagem do portal Metrópoles que questionava a “precipitação” do BC . Termos como “Liquidação a jato” e “muito suspeita” passaram a ser ecoados para um público de milhões, com a intenção de criar uma narrativa paralela que pressionasse o Judiciário e abalasse a credibilidade da instituição .

O elo político

O escândalo adquiriu contornos políticos ainda mais complexos com a revelação de que o publicitário Marcello Lopes, coordenador da comunicação da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), foi listado como um dos estrategistas do “Projeto DV” . Seu nome e foto aparecem na apresentação do plano, ao lado de Thiago Miranda e do publicitário Anderson Nunes .

Lopes, conhecido como “Marcelão”, negou qualquer participação, afirmando que foi incluído no documento sem autorização . No entanto, uma transferência via Pix de R$ 650 mil feita por Miranda para sua conta em 13 de dezembro, no auge do planejamento do projeto, levanta suspeitas . Miranda afirmou que o pagamento foi para “garantir o nome” de Marcelão e “dar peso” ao projeto, enquanto o marqueteiro alega que se tratava de dívidas antigas por serviços prestados . A disparidade das versões e a coincidência dos valores acenderam o alerta na PF, que vê um possível elo entre a tentativa de desestabilizar o BC e a política nacional .

A reação das autoridades

A atuação coordenada não passou despercebida. A Polícia Federal abriu inquérito para investigar o esquema e o ministro do STF Dias Toffoli autorizou a apuração das ações dos influenciadores . Para a PF, a trama não foi um ato “pueril”, mas uma ofensiva orquestrada por “profissionais do crime” para influenciar a opinião pública e atacar agentes do Estado .

A investigação analisa as mensagens extraídas do celular de Vorcaro e já identificou ao menos duas agências diferentes envolvidas nas tratativas para contratar influenciadores . A agência Spark, por exemplo, chegou a ser procurada para orçar uma campanha, mas recusou o trabalho por considerá-lo “eticamente incompatível” .

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