Defesa de Lulinha diz que inquérito não pode ser “eterno” e volta a defender arquivamento

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A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, protocolou nesta semana pedido de arquivamento da investigação que o envolve no escândalo das fraudes bilionárias no INSS. Os advogados alegam que o inquérito não pode se arrastar indefinidamente sem que se apresentem elementos concretos contra o empresário .

“É um absurdo esse inquérito ainda não estar arquivado”, afirmou à CNN o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que coordena a defesa de Lulinha ao lado de Guilherme Suguimori . Segundo ele, não houve comprovação de qualquer ilícito praticado pelo filho do presidente, e a continuidade das apurações representaria uma “perseguição” sem fundamento .

Argumentos da defesa

A estratégia dos advogados se apoia em três pilares principais. O primeiro é a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lulinha, autorizada pela Justiça, que — de acordo com a defesa — não revelou nenhum indício de irregularidade . Em segundo lugar, os advogados citam o depoimento prestado à Polícia Federal pela empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, que negou ter repassado qualquer valor ao filho do presidente ou atuado em negócios com ele no mercado de canabidiol .

A defesa também compara o caso às investigações que envolvem o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). “As posturas das duas famílias são oceânicas”, afirmou Marco Aurélio, ressaltando que o presidente Lula orientou o filho a colaborar com as autoridades, enquanto Jair Bolsonaro teria tentado “blindar” o senador durante apurações .

O contexto das investigações

Lulinha é citado em apurações sobre um esquema que teria desviado bilhões de reais de aposentados e pensionistas do INSS entre 2019 e 2024 . A Polícia Federal chegou a investigar a hipótese de que ele fosse sócio oculto do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores do esquema .

A CPMI do INSS chegou a aprovar a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lulinha, mas a defesa afirma que os dados obtidos não comprovam nenhum envolvimento . Apesar disso, o filho do presidente permanece no centro de um processo que corre em segredo de Justiça no Supremo Tribunal Federal, onde a possibilidade de a Polícia Federal pedir sua prisão divide a corporação e eleva a tensão em Brasília .

Histórico de arquivamentos

Não é a primeira vez que investigações contra Lulinha são arquivadas. Em 2021, o Ministério Público Federal pediu o encerramento de um inquérito que apurava supostos repasses ilegais da Oi para empresas ligadas ao filho de Lula. Na ocasião, o MPF citou a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro e a anulação de provas obtidas pela Lava Jato . “Desde a suspeição do juiz Moro até a incompetência territorial da vara de Curitiba, as ilicitudes foram sendo praticadas com o objetivo de dar sobrevida a uma investigação natimorta”, celebrou à época o advogado Fábio Tofic Simantob .

A defesa de Lulinha agora aposta na mesma tese: a de que, sem provas robustas, o inquérito atual não pode prosperar e deve ser arquivado — antes que o desgaste político já causado à imagem do presidente se transforme em um “trunfo” para a campanha de 2026, como ironizou o advogado Marco Aurélio .

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