A representação do subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado ao TCU destaca a magnitude do desequilíbrio. Somente em maio, o déficit primário do governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência) foi de R$ 53,257 bilhões, o pior desempenho para o mês desde 2020 . Embora fatores como a antecipação de precatórios possam explicar parte do problema, a rápida deterioração das contas acendeu o alerta. O pedido de investigação busca apurar se o calendário eleitoral influenciou a expansão de gastos, como ampliação de programas sociais, linhas de crédito subsidiado e aumento de despesas com publicidade . Déficits primários sucessivos, como alerta o subprocurador, pressionam a dívida pública e alimentam a inflação, afetando diretamente a população mais pobre .
Além da investigação, o governo trava uma batalha no Congresso e no TCU para manter espaço para gastos em 2026. O ponto central é a tentativa de adiar para 2027 a aplicação de um gatilho do arcabouço fiscal, que proíbe aumentos reais de despesas com pessoal e a concessão de novos benefícios fiscais no ano seguinte ao de um déficit fiscal . Como o rombo de 2025 é praticamente certo, a aplicação da trava em 2026 inviabilizaria promessas eleitorais, como a ampliação da isenção do Imposto de Renda e os reajustes salariais de servidores .
No entanto, o TCU e as consultorias do Congresso rejeitaram a interpretação do governo, classificando a manobra como ilegal. Para os órgãos de controle, a regra do arcabouço é clara e deve ser aplicada já em 2026 . Após reação dos técnicos, o relator da LDO, deputado Gervásio Maia (PSB-PB), retirou do texto o artigo que adiava a regra, aumentando o cerco sobre o Executivo e sua margem de manobra fiscal em ano eleitoral .





