Os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinaram nesta segunda-feira (6) que os presidentes de sete Tribunais de Justiça (TJs) expliquem, em até 48 horas, indícios de descumprimento à tese da corte sobre os chamados “penduricalhos” — verbas extras que turbinaram os salários de magistrados a valores que chegaram a R$ 495 mil em um único mês .
A decisão veio na esteira de reportagem da Folha de S.Paulo que revelou que, em maio, 616 juízes e desembargadores receberam vencimentos acima do teto constitucional, atualmente fixado em R$ 46,4 mil . As cortes notificadas são as do Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Rondônia .
Em março, o STF havia vedado uma série de penduricalhos, como auxílio-alimentação, auxílio-moradia e indenização por acervo, estabelecendo um limite para os vencimentos . Pela nova regra, os salários poderiam chegar ao máximo de R$ 78,8 mil, em condições específicas .
No entanto, uma resolução conjunta do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) — presidido pelo ministro Edson Fachin — e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), aprovada em abril, criou uma brecha. O documento recriou parte dos penduricalhos extintos sob novas nomenclaturas e abriu espaço para que as verbas extrapolassem o limite estabelecido .
A “assistência pré-escolar”, por exemplo, foi rebatizada como “gratificação de proteção à primeira infância e à maternidade” . A Transparência Brasil classificou a resolução como uma “inequívoca afronta à Tese fixada pelo STF” e um “claro sinal de falência desses órgãos” de controle .
Alerta dos Ministros
Nos despachos, Moraes, Dino, Zanin e Gilmar foram enfáticos ao afirmar que estão “absolutamente vedados” a criação e o pagamento de penduricalhos que não estejam autorizados pela tese da corte . Eles ressaltaram que os presidentes dos tribunais podem responder nas esferas penal, civil e disciplinar, além de poderem ser afastados de seus cargos de direção .
O episódio expõe mais uma vez a tensão entre os tribunais superiores e as cortes estaduais, que resistem a abrir mão de privilégios históricos, e coloca em xeque a eficácia do controle sobre os gastos do Judiciário — um dos maiores custos do orçamento da União.





