Sob Lula, estatais registram rombo histórico de R$ 7,4 bi

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O anúncio de que as estatais brasileiras tiveram um lucro líquido agregado de cento e sessenta e nove bilhões e quatrocentos milhões de reais em 2025 foi celebrado como um triunfo da gestão. Afinal, o número representa uma alta de quarenta e cinco vírgula quatro por cento em relação ao ano anterior, puxado principalmente pelo desempenho estrondoso da Petrobras, que lucrou cento e dez bilhões e seiscentos milhões de reais. O governo ressaltou ainda os recordes de investimento, que somaram cento e quinze bilhões e novecentos milhões de reais, o terceiro ano consecutivo de crescimento.

No entanto, por trás dessa fachada de números positivos, esconde-se uma realidade fiscal alarmante. O rombo mencionado no tema encontra seu eco em dados oficiais que revelam um déficit primário histórico. Segundo o Banco Central, as contas das estatais registraram um déficit primário de cinco bilhões e oitocentos e setenta milhões de reais em 2025. Este é o segundo maior rombo da série histórica, perdendo apenas para o recorde negativo de oito bilhões e cem milhões de reais de 2024. Portanto, o buraco nas contas é ainda mais profundo do que o primeiro número sugere, configurando uma crise que se arrasta.

A Discrepância Entre o Lucro Contábil e o Déficit Primário

Para entender o que está acontecendo, é preciso diferenciar dois conceitos: o lucro contábil, divulgado pelo Ministério da Gestão, e o déficit primário, apurado pelo Banco Central. O lucro contábil é uma medida que considera receitas e despesas no momento em que o fato financeiro ocorre. Já o déficit primário analisa o saldo entre o dinheiro que efetivamente entrou e o que saiu do caixa da empresa.

O governo defende que o déficit não reflete necessariamente uma saúde financeira comprometida, pois empresas lucrativas podem ter rombos em períodos de grandes investimentos ou ao pagar dividendos usando recursos guardados de anos anteriores. Esta é a justificativa para o rombo de 2025: ele foi fortemente influenciado por investimentos e pagamentos de dividendos.

Ainda assim, o dado coloca o governo em uma posição delicada. O rombo de cinco bilhões e oitocentos e setenta milhões de reais ficou abaixo do déficit autorizado pela LDO, que era de seis bilhões e duzentos milhões de reais, mas isso não é motivo para alívio. A tendência é de deterioração. Em novembro de 2025, o governo já havia atualizado sua projeção para um déficit de nove bilhões e duzentos milhões de reais, o que indicava um sério risco de estouro da meta fiscal. Para 2026, a meta de déficit para as estatais é de seis bilhões e setecentos e cinquenta milhões de reais, mas um espaço extra de dez bilhões de reais já foi aberto para acomodar despesas com a reestruturação dos Correios.

O Peso Morto dos Correios e a Concentração de Lucros

O principal responsável por essa situação é a crise profunda dos Correios, que encerrou 2025 com o pior prejuízo da sua história: oito bilhões e quatrocentos e cinquenta e oito milhões de reais. O valor mais que triplica o rombo de 2024, e a empresa acumula catorze trimestres consecutivos de resultados negativos, com receitas em queda de doze por cento. Este único prejuízo já explica grande parte do déficit primário total das estatais.

Este cenário revela a fragilidade da estrutura: o lucro agregado das quarenta e quatro estatais é extremamente concentrado. Petrobras, BNDES e Banco do Brasil respondem por quase noventa e um por cento do lucro total. Sem o desempenho dessas gigantes, especialmente da Petrobras, o quadro seria ainda pior. A situação dos Correios é tão grave que a empresa tem patrimônio líquido negativo de treze bilhões e cento e sessenta milhões de reais.

Entre a Vitrine e os Bastidores

Os números de 2025 mostram um setor estatal dividido entre uma vitrine de lucros recordes e bastidores de uma crise financeira que não cessa. Se por um lado, a Petrobras e os bancos públicos alimentam o caixa do governo com dividendos, por outro, a sangria dos Correios e de outras estatais dependentes do Tesouro é um lembrete da falta de equilíbrio.

O resultado é o maior rombo da história, exigindo que o governo crie espaços fiscais para manter as contas em ordem, enquanto a crise de uma de suas maiores empresas se aprofunda.

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