PF apura pedido de quadro milionário ligado ao Planalto

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Mensagens obtidas pela investigação indicam que ex-chefe de gabinete de Lula pediu obra avaliada em 100 mil euros a lobista que apresentou demandas ao governo.

A Polícia Federal analisa mensagens que mostram o ex-chefe de Gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, pedindo à lobista Roberta Luchsinger um quadro avaliado em 100 mil euros. O conteúdo foi divulgado pelo Poder360 nesta segunda-feira, 24, com base em conversas incorporadas aos inquéritos.

Em uma troca de mensagens de dezembro de 2024, o então assessor perguntou sobre a obra. A lobista respondeu que o quadro seria entregue na semana seguinte, estava sendo emoldurado e havia passado pelo Carrousel du Louvre, complexo comercial ligado ao Museu do Louvre, em Paris. Segundo o relatório policial, Roberta também declarou o valor de 100 mil euros.

O documento não confirma se a obra foi efetivamente entregue. Essa distinção é fundamental: a investigação reúne indícios e comunicações que ainda precisam ser confrontados com documentos, depoimentos e a defesa dos envolvidos. Não existe condenação relacionada ao episódio, e a presunção de inocência deve ser respeitada.

Marcola deixou o governo em 21 de julho, depois que a PF passou a investigar pagamentos realizados pela lobista. Ele reconheceu ter recebido uma transferência, mas afirmou que o valor correspondia a um empréstimo pessoal, posteriormente quitado. O ex-assessor disse ter devolvido R$ 249 mil.

As mensagens também indicam que Roberta levava ao então chefe de gabinete temas ligados aos interesses de clientes, incluindo assuntos envolvendo Petrobras e canabidiol. Em uma das conversas, Marcola informou que havia participado de reunião com um interlocutor mencionado pela lobista.

Para uma linha conservadora, o caso exige transparência integral do Palácio do Planalto. A proximidade de agentes privados com gabinetes públicos não prova crime, mas demanda explicações quando aparecem presentes de alto valor, pagamentos e pedidos relacionados a interesses empresariais.

O padrão republicano deve ser simples: acesso ao governo não pode se transformar em moeda de troca, benefício pessoal ou vantagem para intermediários. A mesma cobrança aplicada a adversários precisa alcançar autoridades e assessores do grupo político que ocupa o poder.

Caberá à Polícia Federal esclarecer se houve entrega do quadro, qual seria sua origem, quem pagou pela obra e se existiu contrapartida em decisões administrativas. O governo também deve colaborar com registros de agenda e comunicações oficiais. Se os fatos afastarem irregularidades, isso precisa ser reconhecido; se confirmarem crimes, os responsáveis devem responder dentro da lei, sem blindagem partidária.

Em todas essas decisões, o eleitor deve cobrar dados completos, fontes identificadas e explicações objetivas. Divergência política não autoriza invenção, censura ou tratamento desigual. O debate público ganha força quando governo, oposição, imprensa e instituições respondem por suas afirmações. A escolha nas urnas precisa decorrer de informação verificável, liberdade de consciência e respeito às regras, sem propaganda disfarçada de ato oficial nem uso seletivo da lei contra adversários e compromisso permanente com a verdade factual.

Fonte: Poder360

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