Trump declara fim da trégua com o Irã e afirma que negociar é “perda de tempo”

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira (8) que considera encerrado o acordo provisório de cessar-fogo com o Irã, classificando as negociações com o regime de Teerã como uma “perda de tempo”. A declaração foi feita durante a cúpula da Otan em Ancara, na Turquia, horas depois de novas trocas de ataques entre os dois países .

“Para mim, acho que [o acordo] acabou. No que me diz respeito, isso é apenas perda de tempo. Eles podem conversar, mas acho que estão perdendo tempo. Eles são lixo, são pessoas doentes, são governados por pessoas doentes e são pessoas cruéis e violentas”, afirmou Trump .

O presidente americano também ameaçou realizar novos ataques contra o Irã ainda nesta quarta-feira, afirmando que os EUA “provavelmente voltarão a atingi-los com força esta noite” e que poderão restabelecer o bloqueio aos portos iranianos .

Escalada militar e impacto econômico

A declaração ocorre após forças americanas lançarem novos ataques contra mais de 80 alvos no Irã, incluindo sistemas de defesa aérea, redes de comando e controle, radares costeiros e mísseis. Em resposta, a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado instalações militares dos EUA no Bahrein e no Kuwait, além de derrubar um drone americano MQ-9 .

O governo americano também revogou uma licença que autorizava temporariamente a venda de petróleo iraniano, restabelecendo as sanções que haviam sido suspensas. Como resultado, os preços do petróleo subiram imediatamente 5% .

O Estreito de Ormuz, por onde passava cerca de um quinto do petróleo e gás natural comercializados no mundo antes do conflito, continua sendo o principal ponto de tensão. O Irã já havia bloqueado o tráfego marítimo na região, elevando drasticamente os preços globais de energia .

Reações e perspectivas

O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que os ataques americanos e a revogação da autorização para venda de petróleo tornaram “ineficaz” o acordo firmado entre os dois países no mês passado. O governo iraniano classificou a decisão de Washington como uma violação do entendimento que previa um período de 60 dias de negociações para um acordo permanente .

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, acusou Washington de descumprir o acordo e afirmou que “a era da intimidação e da extorsão acabou”: “Isso não leva a lugar nenhum. Nós não recuamos” .

Analistas observam que os ataques limitados das forças armadas americanas ressaltam o dilema do governo Trump em relação ao Irã: sentir-se compelido a responder militarmente, mas receoso de se envolver em um conflito maior. “A prioridade atual de Washington é a estabilidade, prevenindo uma crise energética e evitando um conflito que arraste os Estados Unidos para outra guerra no Oriente Médio”, avaliam pesquisadores .

O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, afirmou que os novos ataques americanos eram “absolutamente necessários”, enquanto a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, classificou como “inaceitáveis” os ataques iranianos .

Até o momento, não há informações sobre novas medidas ou sobre a possibilidade de retomada das negociações entre as partes.

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