Flávio defende imprensa livre contra decisão de Moraes

Senador critica buscas contra fonte de jornalista e alerta para riscos ao direito constitucional de investigação da imprensa.

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O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República, voltou a criticar uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, relacionada à identificação de fonte jornalística. A manifestação foi publicada nas redes sociais na noite de quinta-feira, 13, e ganhou repercussão nesta sexta-feira, 14.

O caso envolve Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão. Ele foi alvo de busca e apreensão autorizada por Moraes em investigação da Polícia Federal sobre informações utilizadas pelo jornalista Luís Pablo em reportagens envolvendo o ministro Flávio Dino, também integrante do STF.

Segundo a reportagem da Revista Oeste, a PF identificou Cutrim como uma das fontes do jornalista. Luís Pablo publicou matérias sobre suposto uso indevido de veículos oficiais por Dino e familiares. A operação contra Cutrim ocorreu na terça-feira, 11, e teve parecer favorável da Procuradoria-Geral da República.

Flávio afirmou que imprensa livre não é aquela que elogia o poder, mas a que pode investigá-lo sem que a polícia bata à porta de quem forneceu informações. Para o senador, proteger o sigilo da fonte significa defender o direito de todos os brasileiros de viver em um país livre e democrático.

Entidades jornalísticas também demonstraram preocupação. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo e a Sociedade Interamericana de Imprensa apontaram riscos à liberdade de imprensa. A reação mostra que a controvérsia ultrapassou a disputa eleitoral e alcançou organizações profissionais do setor.

O sigilo da fonte possui proteção constitucional quando necessário ao exercício profissional. Ao mesmo tempo, autoridades sustentam que a garantia não pode servir para encobrir crimes. O ponto decisivo é a proporcionalidade: qualquer medida capaz de revelar informantes precisa ter fundamentação rigorosa e preservar o trabalho legítimo da imprensa.

Para o campo conservador, a manifestação de Flávio reforça uma pauta essencial. Fiscalizar autoridades, inclusive ministros de cortes superiores, não pode ser tratado como ameaça institucional. Democracias se fortalecem quando jornalistas apuram, cidadãos denunciam e agentes públicos respondem com transparência.

A investigação segue em andamento, e a operação não representa condenação de Cutrim ou do jornalista. Também não há decisão definitiva sobre todas as controvérsias jurídicas envolvidas. A prudência exige separar a apuração criminal do direito de publicar informações de interesse público.

O episódio coloca novamente Alexandre de Moraes no centro do debate sobre limites do poder estatal. Ao defender jornalistas mesmo quando as reportagens atingem autoridades influentes, Flávio procura apresentar a direita como força comprometida com liberdade de expressão, fiscalização e resistência a decisões consideradas excessivas. A proteção do informante é especialmente importante quando o investigado jornalisticamente ocupa posição poderosa, pois o medo de retaliação pode silenciar denúncias relevantes e impedir que a sociedade conheça abusos.

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