Zema propõe reformar STF e cortar gastos federais

Candidato do Novo rejeita aumento de impostos, defende lista de notáveis para a Corte e promete reformas estruturais.

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Zema propõe reformar STF e cortar gastos federais

O candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, colocou austeridade fiscal e reforma institucional no centro de sua campanha. Em sabatina realizada nesta terça-feira, 4 de agosto, o ex-governador de Minas Gerais defendeu mudanças na escolha de ministros do Supremo Tribunal Federal, corte de despesas e uma agenda de privatizações.

Zema propôs que o presidente receba uma lista com nomes de notáveis para indicar ministros do STF, reduzindo a liberdade de escolha do chefe do Executivo. Segundo o candidato, os indicados deveriam ter mais de 60 anos e longa trajetória jurídica ou acadêmica. Ele também defendeu o fim de decisões monocráticas capazes de suspender medidas aprovadas pelo Congresso.

A proposta responde a uma cobrança recorrente da direita: limitar a concentração de poder em decisões individuais e tornar a composição da Corte menos dependente de afinidades políticas. Uma mudança desse alcance, porém, exigiria debate constitucional e critérios objetivos para a formação da lista. Sem isso, o controle apenas mudaria de mãos, sem garantir maior independência.

Na economia, Zema afirmou que não pretende aumentar impostos para fechar as contas públicas. O candidato prometeu rever despesas, reformar a Previdência e a administração federal, avaliar programas sociais e ampliar privatizações. Ele disse que o país chegou ao limite do ajuste feito pelo lado da arrecadação e precisa reduzir o peso de uma máquina estatal que continua crescendo.

Como exemplo, Zema citou sua passagem pelo governo mineiro. Segundo ele, a redução de aproximadamente 50 mil cargos produziu economia anual próxima de R$ 4 bilhões. O desempenho e a metodologia desses números deverão ser examinados pela campanha e pelos adversários, mas a experiência oferece uma referência concreta para o debate sobre eficiência administrativa.

O candidato declarou ainda que não planeja disputar a reeleição se chegar ao Planalto. A intenção seria concentrar um único mandato em medidas difíceis, mesmo sob custo político. Essa promessa também precisará ser cobrada, porque a história brasileira registra compromissos semelhantes abandonados depois da posse e da formação das alianças parlamentares.

Para o eleitor conservador e liberal, a combinação entre responsabilidade fiscal, transparência e limites ao Judiciário apresenta uma alternativa nítida ao modelo de expansão do Estado. O desafio de Zema será detalhar quais despesas cortará, como protegerá os mais vulneráveis e quais reformas enviará primeiro ao Congresso. Austeridade responsável exige números, prioridades e coragem para enfrentar privilégios em todos os Poderes, não apenas um discurso contra impostos.

A campanha ainda deverá comparar a proposta com modelos internacionais de indicação para cortes constitucionais. Mandato, idade, transparência da sabatina e quarentena política são temas relacionados. Uma reforma séria precisa fortalecer a Constituição e a previsibilidade das decisões, sem permitir captura partidária por qualquer lado.

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