O ex-prefeito de Salvador ACM Neto abriu vantagem de dez pontos percentuais sobre o governador Jerônimo Rodrigues na disputa pelo governo da Bahia. Levantamento do Instituto Paraná Pesquisas divulgado nesta segunda-feira, 3 de agosto, mostra o candidato do União Brasil na liderança em primeiro e segundo turnos.
No cenário de primeiro turno, ACM Neto aparece com 48,9% das intenções de voto, contra 38,7% do atual governador, filiado ao PT. Os demais candidatos não alcançam 1%. Brancos, nulos e eleitores que ainda não escolheram um nome somam 11,4%, percentual insuficiente para apagar a vantagem observada neste momento.
Na simulação de segundo turno, o ex-prefeito chega a 50,9%, enquanto Jerônimo registra 40%. Brancos e nulos representam 6,1%, e 2,9% não souberam responder. A rejeição também pesa contra o petista: 41% afirmam que não votariam nele, ante 28,2% de rejeição a ACM Neto.
O Paraná Pesquisas ouviu 1.400 eleitores em 60 municípios, entre 31 de julho e 2 de agosto. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BA-03043/2026. Outra pesquisa recente, da Quaest, apontou empate técnico, o que recomenda cautela na leitura e acompanhamento das próximas rodadas.
A diferença entre os institutos será explorada pelas duas campanhas. ACM Neto terá de transformar vantagem numérica em voto consolidado no interior, enquanto Jerônimo buscará mobilizar a estrutura estadual e a força histórica de Lula na Bahia. O debate deverá passar por segurança pública, desenvolvimento regional, infraestrutura e qualidade dos serviços. A campanha não pode se limitar à nacionalização automática entre bolsonarismo e petismo.
Mesmo com essa ressalva, a liderança de ACM Neto tem peso simbólico. A Bahia é um dos principais redutos eleitorais do PT e foi decisiva nas vitórias presidenciais da legenda. Uma oposição competitiva no estado demonstra que o domínio petista não é permanente e que pautas ligadas a gestão, segurança, emprego e responsabilidade administrativa podem romper antigas fidelidades partidárias.
A eleição será decidida pelo voto e ainda terá campanha, debates e apresentação de propostas. Mas o cenário atual coloca o grupo de Jerônimo diante de uma cobrança objetiva pelos resultados do governo. Para a centro-direita e o campo conservador, a pesquisa oferece uma oportunidade concreta de construir alternância de poder em um estado historicamente controlado pelo petismo.
Para consolidar a vantagem, será necessário apresentar um programa que alcance a capital, o interior e as diferentes regiões produtivas, sem desprezar problemas sociais. A liderança só terá consequência política se vier acompanhada de organização, fiscalização eleitoral e propostas capazes de dialogar com a maioria dos baianos.





