A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra (PSD), aparece numericamente à frente do ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) nos cenários de primeiro e segundo turnos divulgados pelo Datafolha na sexta-feira, 31. O resultado reforça uma sequência de levantamentos que apontam recuperação da candidata e crescente dificuldade para o nome apoiado pelo presidente Lula.
No primeiro turno, Raquel registra 48% das intenções de voto, contra 42% de João Campos. Na simulação de segundo turno, a governadora alcança 49%, enquanto o adversário soma 45%. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, os dois permanecem tecnicamente empatados, mas a liderança numérica da atual governadora tem peso político.
O Datafolha ouviu 1.022 eleitores entre 28 e 30 de julho. Outro levantamento, da Realtime Big Data, também mostrou Raquel à frente: 44% a 42% no primeiro turno e 45% a 44% no segundo. Essa pesquisa entrevistou 1.600 pessoas e foi registrada na Justiça Eleitoral sob o número PE-08413/2026.
A mudança de cenário chama atenção porque João Campos foi apresentado durante meses como favorito e conta com apoio direto de Lula. Em abril, pesquisa Quaest mostrava Raquel com 38% e o socialista com 46%. No levantamento divulgado em julho, a governadora chegou a 45%, enquanto Campos recuou para 39%, indicando uma virada consistente, embora a disputa continue aberta.
Raquel construiu sua campanha destacando entregas administrativas, diálogo com municípios e capacidade de gestão. A evolução nas pesquisas sugere que parte do eleitorado pernambucano prefere avaliar resultados concretos em vez de seguir automaticamente a orientação do petismo. Também evidencia que o Nordeste não pode ser tratado como território eleitoral permanente de um único partido.
Para a direita e o centro-direita, a liderança numérica representa oportunidade de quebrar a hegemonia política da esquerda em um Estado simbolicamente importante para Lula. Os números não autorizam declarar vitória antecipada, mas confirmam uma disputa competitiva e uma tendência favorável à governadora. Se mantiver o foco em segurança, infraestrutura, responsabilidade administrativa e serviços públicos, Raquel poderá transformar a reação registrada pelas pesquisas em um resultado histórico contra a máquina política reunida em torno de João Campos.
Pesquisas representam fotografias do momento, não previsão garantida do resultado. Ainda assim, quando institutos diferentes identificam o mesmo movimento, campanhas precisam considerar a tendência. O desafio de Raquel será consolidar sua vantagem numérica e reduzir rejeições; João Campos terá de explicar por que perdeu terreno apesar do apoio presidencial e da exposição acumulada durante sua passagem pela prefeitura do Recife.
Fonte: O Antagonista — https://oantagonista.com.br/brasil/datafolha-reforca-lideranca-de-raquel-lyra-em-pernambuco/





