Fauci recusa responder perguntas no Senado americano

Ex-chefe da resposta à pandemia invoca proteção contra autoincriminação durante audiência convocada pelo republicano Rand Paul.

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Fauci recusa responder perguntas no Senado americano

Anthony Fauci, que coordenou a resposta sanitária do governo dos Estados Unidos à Covid-19, recusou-se nesta quarta-feira (29) a responder perguntas de senadores sobre as origens da pandemia e as decisões adotadas durante a crise. Ele invocou a Quinta Emenda, proteção constitucional americana contra a autoincriminação.

A audiência ocorreu no Comitê de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do Senado e foi convocada pelo senador republicano Rand Paul. Fauci afirmou que o parlamentar teria uma “obsessão” por incriminá-lo e declarou acreditar que qualquer resposta poderia ser usada para sustentar acusações anunciadas anteriormente.

Rand Paul e outros republicanos cobram esclarecimentos sobre financiamento de pesquisas, comunicação entre autoridades sanitárias e a hipótese de vazamento do coronavírus de um laboratório em Wuhan, na China. Eles também questionam declarações prestadas por Fauci ao Congresso durante e depois da pandemia.

Fauci dirigiu o Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas entre 1984 e 2022. Durante a emergência sanitária, tornou-se uma das figuras públicas mais influentes do país e defendeu medidas como restrições de circulação, uso de máscaras e vacinação. Suas recomendações afetaram escolas, empresas, igrejas e milhões de famílias.

No final do governo do democrata Joe Biden, Fauci recebeu um perdão presidencial preventivo relacionado a possíveis acusações federais decorrentes de seus comentários e atos durante a pandemia. A medida foi criticada por republicanos, que a interpretaram como tentativa de dificultar investigações e impedir uma prestação de contas completa.

O exercício da Quinta Emenda é um direito constitucional e não equivale, por si só, a confissão de culpa. Ainda assim, a recusa amplia as dúvidas políticas sobre decisões que tiveram consequências econômicas, educacionais e sociais profundas. Famílias perderam renda, crianças ficaram afastadas das escolas e pequenos negócios fecharam durante os períodos de restrição.

O presidente Donald Trump reiterou que sempre defendeu a hipótese de origem laboratorial. A afirmação continua sendo discutida por cientistas e autoridades, e não existe consenso definitivo sobre a origem do vírus. Justamente por isso, documentos, depoimentos e pesquisas devem permanecer acessíveis ao escrutínio público.

A lição conservadora é clara: poderes extraordinários precisam ser acompanhados de transparência extraordinária. Autoridades sanitárias não podem ficar acima da fiscalização apenas porque alegam agir em nome da ciência. O Senado tem o dever de investigar com seriedade, respeitar direitos individuais e esclarecer decisões que mudaram a vida de milhões de pessoas, sem transformar o procedimento em perseguição ou espetáculo partidário. A revisão das políticas adotadas deve preparar respostas futuras que protejam os vulneráveis sem sacrificar liberdade religiosa, educação presencial e sobrevivência dos pequenos negócios. O público merece respostas documentadas sobre erros, conflitos e recomendações adotadas naquele período hoje.

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