O embaixador de Israel nas Nações Unidas, Danny Danon, afirmou nesta terça-feira (28) que o avanço do plano de paz para a Faixa de Gaza depende do reconhecimento formal do Hamas como organização terrorista pela ONU. A exigência foi apresentada antes de uma sessão do Conselho de Segurança, em Nova York.
Danon declarou que o Hamas é o principal obstáculo à implementação do plano de 20 pontos proposto pelo presidente americano Donald Trump. Para Israel, não é possível estabelecer uma estrutura estável de reconstrução enquanto a comunidade internacional evita classificar de forma objetiva o grupo que iniciou a guerra com os ataques de 7 de outubro de 2023.
O cessar-fogo firmado em outubro de 2025 prevê a desmilitarização do Hamas, a instalação de uma força internacional de estabilização e a transferência da administração do enclave para um comitê de tecnocratas palestinos. Em janeiro, os Estados Unidos anunciaram a entrada em vigor da segunda fase do acordo.
No início de julho, o governo do Hamas em Gaza anunciou sua dissolução formal para permitir a transição administrativa. O gesto, porém, não resolve a questão do desarmamento, da estrutura militar e das redes financeiras do grupo. Uma troca de fachada burocrática não garante que terroristas deixem de controlar território, armas e recursos.
O Gabinete de Segurança de Israel aprovou no domingo (26) a entrada em Gaza do Conselho de Paz de Trump, encarregado de apoiar a restauração de serviços básicos. O comitê de tecnocratas, atualmente sediado no Egito, ainda aguarda autorização para ingressar no território palestino e assumir funções administrativas.
A exigência israelense representa um teste para a coerência das Nações Unidas. O organismo frequentemente cobra concessões de democracias, mas enfrenta dificuldades para nomear e responsabilizar organizações que utilizam civis como escudos, sequestram inocentes e promovem ataques deliberados. Sem clareza moral, qualquer plano de paz corre o risco de premiar a violência.
Para setores conservadores, paz verdadeira não significa apenas interrupção temporária dos combates. Ela exige derrota das estruturas terroristas, libertação de reféns, garantias de segurança e administração civil que não financie doutrinação extremista. Reconstruir Gaza sem eliminar o poder armado do Hamas apenas prepararia a próxima guerra.
A ONU ainda não anunciou mudança em sua classificação. A pressão de Israel busca transformar o reconhecimento do terrorismo em condição institucional, e não em simples declaração diplomática. Se o Conselho deseja contribuir para uma solução duradoura, precisará demonstrar que o direito internacional protege vítimas e não oferece legitimidade a grupos que fizeram do terror um método político.





