O investimento estrangeiro direto no Brasil cresceu 33% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira (28). O resultado foi impulsionado pelo ingresso de US$ 9,07 bilhões apenas em junho, quase o dobro do esperado pelo mercado.
No acumulado do ano, entraram US$ 46,98 bilhões, equivalentes a aproximadamente R$ 240 bilhões. O desempenho levou o Banco Central a elevar sua projeção para 2026 de US$ 70 bilhões para US$ 75 bilhões. Ainda assim, a nova estimativa permanece abaixo dos US$ 78 bilhões registrados em 2025.
O resultado positivo reflete sobretudo a força de setores produtivos e exportadores. A valorização do petróleo no mercado internacional e o desempenho das vendas de soja e carne bovina ajudaram a atrair recursos. São áreas sustentadas por investimento privado, produtividade, segurança contratual e capacidade empresarial — não por discursos hostis ao mercado.
A balança comercial registrou superávit de US$ 8,83 bilhões em junho, acima dos US$ 5,25 bilhões observados um ano antes. O déficit em transações correntes ficou em US$ 2,33 bilhões, resultado melhor que o esperado. Nos 12 meses, esse déficit corresponde a 2,46% do Produto Interno Bruto.
Os números merecem reconhecimento, mas não autorizam triunfalismo governista. O próprio Banco Central apontou queda de US$ 3,6 bilhões nas reservas internacionais em relação a maio, para US$ 367,6 bilhões. Além disso, incerteza fiscal, aumento de impostos e conflitos comerciais podem reduzir a confiança que sustenta novos investimentos.
Capital estrangeiro não chega por caridade nem por propaganda oficial. Investidores analisam retorno, estabilidade, acesso a mercados e respeito a contratos. Quando o governo Lula ameaça equilíbrio fiscal ou cria tensão com parceiros estratégicos, ele aumenta o custo de risco do país e compromete oportunidades geradas pelo setor produtivo.
Para uma agenda conservadora, o caminho é claro: responsabilidade nas contas públicas, simplificação tributária, segurança jurídica, infraestrutura e liberdade para empreender. O Brasil possui recursos naturais, mercado consumidor e empresas competitivas. O desafio é impedir que burocracia e intervencionismo convertam vantagens concretas em crescimento medíocre.
A alta de 33% demonstra que o país continua atraente apesar das escolhas equivocadas de Brasília. Preservar essa entrada de capital exige mais do que comemorar dados mensais. É necessário garantir ambiente previsível, ampliar acordos comerciais e valorizar quem produz. A prosperidade será sustentável quando investimento, produtividade e liberdade caminharem juntos.





