Lula busca Xi após novo tarifaço americano

Telefonema de mais de uma hora discutiu comércio, minerais críticos e fertilizantes em meio ao aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos.

Compartilhar notícia

Lula busca Xi após novo tarifaço americano

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por mais de uma hora com o líder chinês Xi Jinping nesta segunda-feira (27), poucos dias após os Estados Unidos ampliarem tarifas sobre produtos brasileiros. Segundo o governo, os dois trataram da expansão do comércio bilateral e de cooperação em áreas estratégicas como inteligência artificial, satélites, minerais críticos e fertilizantes.

A aproximação ocorre em um momento delicado para a economia brasileira. Washington anunciou uma tarifa adicional de 25%, somada a outra cobrança de 12,5%, sobre parte das exportações nacionais. Em vez de apresentar rapidamente uma estratégia pública de negociação com o principal mercado ocidental, o governo Lula voltou-se a Pequim, aprofundando uma dependência comercial que exige cautela e transparência.

A China já é o maior parceiro comercial do Brasil. Em 2025, o intercâmbio entre os dois países alcançou aproximadamente US$ 171 bilhões. As exportações brasileiras somaram cerca de US$ 100 bilhões, enquanto as importações ficaram em US$ 70,9 bilhões, gerando superávit próximo de US$ 29,1 bilhões. O mercado chinês respondeu por 27,2% das vendas externas do país.

Esses números demonstram a importância objetiva da relação, mas também revelam a necessidade de diversificar destinos e agregar valor à produção nacional. Grande parte das exportações brasileiras para a China continua concentrada em commodities. Uma política externa responsável deve aproveitar oportunidades sem transformar o país em fornecedor dependente de matérias-primas ou ceder controle sobre setores sensíveis.

O telefonema também abordou a possibilidade de um acordo entre Mercosul e China. Qualquer avanço nessa direção precisa ser submetido a avaliação rigorosa dos impactos sobre a indústria, o agronegócio e a segurança nacional. Minerais críticos, infraestrutura digital e satélites não são apenas itens comerciais: constituem ativos estratégicos que exigem regras claras e proteção do interesse brasileiro.

A oposição conservadora tem cobrado do Planalto pragmatismo, equilíbrio e resultados concretos. Relações comerciais com a China podem ser úteis, mas não devem servir de compensação ideológica para o desgaste com os Estados Unidos nem substituir negociações firmes com parceiros democráticos. O Brasil ganha quando mantém portas abertas, preserva soberania e evita alinhamentos automáticos.

O novo tarifaço americano representa um desafio real, mas também expõe falhas acumuladas na diplomacia de Lula, marcada por atritos retóricos e proximidade com regimes autoritários. A resposta adequada exige diálogo profissional, abertura de mercados e competitividade interna. Trocar uma dependência por outra não é estratégia de longo prazo; é apenas adiar o problema que o setor produtivo brasileiro terá de enfrentar.

Rolar para cima