Apoio a Lula desaba apesar de emendas recordes

Adesão às pautas prioritárias do Planalto cai para perto de 38% na Câmara e no Senado, revelando desgaste entre partidos do Centrão.

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Lula

O apoio às pautas prioritárias do governo Lula despencou no Congresso mesmo depois da liberação de um volume recorde de emendas parlamentares. Levantamento da consultoria Ética Inteligência Política, divulgado na sexta-feira (24), mostra que a adesão no Senado caiu de 75% no primeiro semestre de 2025 para 38,5% no mesmo período de 2026. Na Câmara, o índice recuou de 58% para 38,1%.

Os números indicam afastamento de MDB, PSD, União Brasil, PP e Republicanos, partidos que durante boa parte do mandato forneceram votos decisivos ao Planalto. A perda ocorre em ano eleitoral, quando parlamentares tendem a cobrar resultados concretos e evitar associação com governos desgastados. Também expõe o limite de uma articulação baseada em distribuição de recursos sem uma agenda política coerente e capaz de convencer a sociedade.

Emendas são instrumentos constitucionais e permitem que deputados e senadores atendam demandas regionais. O problema aparece quando a liberação recorde é usada como substituta de planejamento, diálogo e responsabilidade fiscal. Dinheiro público não pode funcionar como moeda automática de fidelidade. Cada repasse precisa obedecer a critérios técnicos, transparência e fiscalização, independentemente de quem ocupa o Palácio do Planalto.

A queda do apoio aumenta a dificuldade para aprovar propostas que Lula pretende apresentar como vitrine de campanha. Também fortalece o papel da oposição, que conseguiu impor derrotas importantes ao governo em matérias econômicas, institucionais e relacionadas ao Supremo. O resultado não significa que todos os partidos do Centrão tenham aderido à direita, mas demonstra que o Planalto perdeu capacidade de comando e enfrenta resistência crescente.

O governo ainda controla instrumentos relevantes, mantém ministros ligados a diferentes legendas e pode recuperar votos em negociações específicas. A pesquisa mede comportamento parlamentar, não intenção eleitoral, e precisa ser interpretada dentro desse limite. Mesmo assim, a comparação anual é um sinal objetivo de enfraquecimento. Liberar mais emendas e receber menos apoio revela baixa eficiência política e amplia dúvidas sobre a coordenação do Executivo.

Para o campo conservador, a mudança abre espaço para uma agenda de controle de gastos, combate à corrupção, segurança e fortalecimento do Legislativo. A oposição deve aproveitar o momento com responsabilidade, apresentando alternativas em vez de apenas bloquear propostas. O Congresso não pode trocar dependência do Planalto por paralisia. A queda da base lulista será positiva se resultar em mais fiscalização, autonomia parlamentar e decisões guiadas pelo interesse público, não pelo calendário eleitoral.

O eleitor deve acompanhar como cada bancada vota, e não apenas discursos feitos durante a campanha. Transparência nominal permite distinguir oposição consistente de negociação oportunista. A autonomia do Parlamento será medida pela disposição de revisar gastos, cobrar metas e impedir que recursos públicos sejam usados para comprar silêncio político.

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