Novo PAC promete milhões onde obras antigas pararam

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O governo federal anunciou um novo pacote de R$ 210 milhões para obras no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, dentro do Novo Programa de Aceleração do Crescimento. Do total previsto, R$ 200 milhões virão da União e R$ 10 milhões serão oferecidos pela prefeitura como contrapartida.

O anúncio ocorre em uma região que já recebeu R$ 493 milhões durante o PAC lançado em 2008, no segundo mandato de Lula. Naquela etapa, o governo prometeu teleférico, creches, unidades de saúde, saneamento, pavimentação e espaços comerciais. Parte das estruturas foi entregue, mas projetos importantes ficaram incompletos ou foram abandonados.

O teleférico tornou-se o maior símbolo do problema. Apresentado como solução moderna de mobilidade, o sistema não funciona há dez anos. A recuperação foi anunciada em 2024, mas continua atrasada. O governo estadual informou que trabalha na instalação de elevadores, escadas rolantes e substituição de peças, porém não apresentou uma data para a retomada.

Moradores também relatam falhas em redes de saneamento e pavimentação. Áreas demolidas para a passagem de equipamentos permanecem vazias, enquanto praças e outros espaços de lazer foram abandonados. Em alguns pontos, a própria comunidade precisou recuperar quadras e equipamentos públicos.

As obras originais foram executadas por um consórcio formado por Delta, OAS e Odebrecht, atual Novonor. Investigações posteriores relacionaram empreiteiras e autoridades a denúncias de corrupção e cartel. O ex-governador Sérgio Cabral foi condenado por crimes associados a contratos públicos, inclusive formação de cartel em obras.

O novo programa inclui intervenções no Alemão e em outras comunidades, como Rocinha, Maré e Jardim Maravilha. O Ministério das Cidades afirma que 66 territórios de 21 Estados foram selecionados para urbanização.

Investir em comunidades carentes é necessário. O questionamento está na repetição de anúncios sem conclusão, manutenção ou avaliação das promessas anteriores. Antes de apresentar novos bilhões como conquista, o governo deve explicar por que estruturas caras foram paralisadas e como impedirá que os mesmos erros ocorram novamente.

A direita tem a oportunidade de defender uma política social baseada em resultados: obra concluída, serviço funcionando, contrato transparente e responsável identificado quando houver desperdício. Responsabilidade fiscal não significa abandonar os mais pobres; significa impedir que recursos destinados a eles sejam consumidos por corrupção, incompetência ou propaganda.

O Complexo do Alemão não precisa de mais uma cerimônia. Precisa de saneamento, transporte e segurança entregues dentro do prazo. A verdadeira justiça social começa quando o dinheiro do contribuinte chega à população em forma de serviço, e não apenas de promessa eleitoral.

O acompanhamento deve continuar depois da eleição. Cronogramas, empresas contratadas, medições e pagamentos precisam permanecer acessíveis ao público. Sem controle permanente, o país corre o risco de inaugurar novamente uma promessa enquanto as estruturas do anúncio anterior continuam paradas diante dos moradores.

Link: https://revistaoeste.com/politica/novo-pac-promete-r-210-mi-ao-alemao-mas-herda-obras-paradas-de-edicoes-passadas/

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