Lula impulsiona projeto que fortalece sindicatos do funcionalismo e afaga base do PT

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O governo Lula decidiu acionar uma velha conhecida engrenagem política: o fortalecimento dos sindicatos do funcionalismo público. A medida, apresentada como um projeto de valorização do servidor, chega em um momento no mínimo curioso para a narrativa do Planalto.

Isso porque o presidente, que em 2022 acusou seu antecessor de tentar “comprar o povo” com pacotes de bondades eleitoreiros, agora impulsiona seu próprio conjunto de benesses. O alvo, desta vez, não é a população em geral, mas a base mais organizada e historicamente próxima ao Partido dos Trabalhadores: os servidores públicos e seus representantes sindicais.

O Custo Político do Afago

A relação entre o PT e as centrais sindicais sempre foi de mútua dependência. Durante os primeiros governos Lula (2003-2010), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) viu seus quadros ocuparem ministérios e seu programa político ser absorvido pela agenda governamental, ainda que isso tenha gerado conflitos entre a militância e a moderação pragmática exigida pelo cargo.

O movimento agora parece reatar esse laço de forma ainda mais explícita. O projeto que fortalece os sindicatos do funcionalismo não é apenas uma pauta trabalhista; é uma peça de reposicionamento político. Ao garantir mais poder de barganha e recursos para as entidades de classe, o governo sinaliza à sua base que o “companheiro” não esqueceu de onde veio.

A Contradição do Discurso

A ironia do momento, no entanto, é difícil de ignorar. Durante a campanha de 2022, Lula e seus aliados usaram o discurso do “bolsa-família do ladrão” para criticar o aumento do Auxílio Brasil, acusando Jair Bolsonaro de usar a máquina pública para fins eleitoreiros.

Agora, com o controle do Orçamento e da caneta presidencial, o governo petista amplia a influência sindical sobre o funcionalismo. A diferença, segundo a retórica do Planalto, é que agora as medidas seriam “estruturantes” e não “clientelistas”. Para o olhar mais crítico, contudo, a operação parece uma resposta direta às demandas de uma base que precisa ser mantida unida para sustentar o projeto de poder.

Enquanto o “custo Brasil” e o déficit público seguem como fantasmas para a economia, o governo aposta no velho manual: fortalecer quem sempre esteve do lado certo da história, mesmo que para isso seja necessário pisar no próprio discurso contra a “compra” de apoios. O funcionalismo agradece; o contribuinte, que paga a conta, aguarda para ver se o retorno virá em forma de serviço público de qualidade ou apenas em mais um capítulo da política de “nós contra eles”.

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