STF autoriza Braga Netto a fazer cursos EAD e abater pena com leitura na prisão

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Brasília – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou o general da reserva Walter Braga Netto a realizar cursos na modalidade de ensino a distância (EAD) enquanto cumpre pena de 26 anos de prisão no Comando da 1ª Divisão de Exército, no Rio de Janeiro. A decisão, publicada neste domingo (12), também permite que o militar participe do programa de remição de pena por leitura da unidade onde está custodiado .

Condenado por seu envolvimento na tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, Braga Netto poderá escolher entre cursos como Gestão de Projetos, Gestão de Riscos e Crises, Planejamento Estratégico e Gestão de Segurança Privada, para os quais há vagas disponíveis na unidade militar . A defesa do general havia solicitado a autorização para três atividades: trabalho interno, participação no programa de remição de leitura e matrícula em curso superior .

Em fevereiro, Moraes já havia negado outro pedido da defesa: a instalação de TV a cabo na cela. Na ocasião, o ministro afirmou que “não há qualquer previsão legal que assegure ao preso o direito à posse ou instalação de equipamentos eletrônicos” . O pedido de acesso a canais de notícia foi justificado pelos advogados como forma de o general “se manter vinculado à realidade social” .

Remição de pena

A Lei de Execução Penal assegura aos condenados em regime fechado ou semiaberto o direito à remição da pena por meio de estudo ou trabalho . Pelo programa de leitura, o condenado pode obter abatimento de quatro dias de pena para cada obra lida e avaliada, com limite de um livro por mês. A atividade deve ser voluntária e realizada com livros do acervo da biblioteca da unidade prisional .

Para o estudo formal, cada 12 horas de atividade acadêmica pode resultar na remição de um dia de pena . A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favoravelmente ao pedido, entendendo que o plano de remição “estabelece diretrizes internas padronizadas para a execução, o controle e a validação das atividades de leitura realizadas pelos presos” .

Segundo informações encaminhadas ao STF, a unidade militar possui estrutura física e condições para acompanhar e supervisionar Braga Netto durante a realização das atividades acadêmicas . O general também já foi autorizado a trabalhar dentro da unidade, em atividades administrativas como leitura e catalogação de obras literárias e de história da Biblioteca da Unidade de Custódia .

Condenação

Braga Netto foi condenado a 26 anos de prisão em regime fechado pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado pela violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio tombado . O militar já estava preso desde dezembro de 2024, acusado de obstruir as investigações sobre o plano golpista .

Nas investigações, Braga Netto é apontado como um dos líderes da organização criminosa ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro, tendo supostamente aprovado e financiado o plano “Punhal Verde e Amarelo”, que previa o assassinato de autoridades, incluindo o ministro Alexandre de Moraes .

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