Starlink no celular: quando chega, como funciona e quais celulares são compatíveis

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A promessa de internet via satélite diretamente no celular, sem necessidade de antenas externas ou equipamentos adicionais, já é realidade em países como Estados Unidos, Chile, Nova Zelândia e Japão. No Brasil, porém, a tecnologia Direct to Cell (D2C), também chamada de Direct to Device (D2D), ainda não foi liberada — e não há data confirmada para sua estreia.

O que é e como funciona o Starlink Direct to Cell?

O Direct to Cell é um serviço da Starlink, divisão de satélites da SpaceX, que permite que smartphones comuns se conectem diretamente a satélites em órbita baixa da Terra (LEO), que atuam como “torres de celular no espaço”. A diferença crucial em relação ao serviço tradicional da Starlink é que não é preciso instalar a antena parabólica (prato) em casa — a conexão é feita diretamente pelo aparelho.

Na prática, os satélites carregam um modem eNodeB embarcado, essencialmente um equipamento de rede 4G (LTE) adaptado para operar no espaço. Eles se comunicam com o celular usando as mesmas frequências das operadoras terrestres, com adaptações técnicas para compensar a distância e a alta velocidade dos satélites.

O serviço é projetado para ser automático: quando o celular não encontra sinal de nenhuma operadora convencional, ele se conecta à rede de satélites — desde que haja uma visão desobstruída do céu e o roaming esteja ativado no aparelho.

O que já é possível fazer?

Atualmente, a fase inicial do serviço é limitada a:

  • Envio e recebimento de mensagens SMS
  • Compartilhamento de localização
  • Chamadas para serviços de emergência

A Starlink já iniciou a transição para a segunda fase, com suporte a dados móveis e IoT (Internet das Coisas) disponível desde 2025, seguida por chamadas de voz ainda em desenvolvimento.

Medições realizadas durante o período de testes nos Estados Unidos indicam que a velocidade de transmissão por feixe é estimada em cerca de 4 Mbps, com potencial para alcançar até 12 Mbps no futuro, conforme a empresa amplie o espectro disponível. Para comparação, a velocidade média da internet móvel 4G no Brasil fica em torno de 20 a 30 Mbps, segundo a Anatel.

Quais celulares são compatíveis?

Um dos grandes atrativos do Direct to Cell é a compatibilidade com smartphones já existentes, sem necessidade de hardware especial. A própria Starlink afirma que o serviço funciona com “todos os telefones LTE” que tenham vista desobstruída para o céu.

No entanto, na prática, há uma lista de modelos compatíveis que depende também de atualizações de software e da parceria com as operadoras locais. Nos Estados Unidos, onde o serviço é oferecido em parceria com a T-Mobile, são compatíveis:

Apple: iPhone 13, 14, 15 e 16 (todas as variantes)

Samsung: Galaxy A14, A15, A16, A35, A53, A54; linhas S21 a S25 (incluindo FE e Ultra); Z Flip3 a Flip6; Z Fold3 a Fold6

Motorola: modelos lançados a partir de 2024, como Razr, Edge, Moto G 5G, G Stylus 5G e G Power 5G

Google: Pixel 9, 9 Pro, 9 Pro XL e 9 Pro Fold

No Chile, primeiro país da América Latina a lançar o serviço por meio da operadora Entel, a compatibilidade segue critérios semelhantes, com a recomendação de que o usuário verifique a lista oficial atualizada da operadora.

Por que ainda não chegou ao Brasil?

Apesar da tecnologia já estar disponível em cerca de dez países, o Brasil ainda não faz parte da lista. A Starlink já conta com mais de 1 milhão de clientes no país (o segundo maior mercado global da empresa), mas o serviço atual é o de banda larga fixa, que exige antena parabólica.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) já se manifestou sobre o tema em agosto de 2025, esclarecendo alguns pontos-chave:

  1. A Starlink não tem autorização para oferecer o Direct to Cell no Brasil. O serviço móvel via satélite requer outorga específica e autorização para uso de radiofrequências da faixa celular.
  2. A empresa não solicitou participação no sandbox regulatório D2D. A Anatel criou um ambiente regulatório especial para testes da tecnologia, mas nenhuma empresa, incluindo a Starlink, pediu autorização até o momento.
  3. Apenas operadoras móveis licenciadas no Brasil podem solicitar esse tipo de autorização. Como a Starlink não possui licença de operadora de telefonia no país, precisaria de uma parceria com Vivo, Claro ou TIM.

Quando a tecnologia pode chegar?

Em fevereiro de 2026, a Starlink formalizou um pedido à Anatel para iniciar as operações do Direct to Cell no Brasil. A expectativa é que o serviço comece a funcionar em 2027, conforme apuração da coluna Broadcast do Estadão.

Para que isso aconteça, a empresa precisa de três movimentos principais:

  1. Obter autorização da Anatel para transferir a licença de uso da banda S (frequência de 2 GHz), adquirida da americana Echostar em 2025.
  2. Lançar uma nova geração de satélites com capacidade D2D, prevista para o fim de 2026 e início de 2027.
  3. Firmar parceria com uma ou mais operadoras nacionais (Vivo, Claro ou TIM), que são as únicas que podem comercializar o serviço no modelo atual.

A Starlink já está em conversas com Apple, Samsung e Motorola para incentivar o lançamento de mais modelos compatíveis com a frequência de 2 GHz no mercado brasileiro, além de negociar com as operadoras.

O serviço é gratuito?

Circulou nas redes sociais a informação de que o Direct to Cell seria “gratuito” no Brasil. A afirmação não procede.

Nos Estados Unidos, o serviço está incluído nos planos mais caros da T-Mobile. Para clientes de planos básicos, há uma taxa adicional de US10(cercadeR10(cercadeR 55) por mês. O modelo de cobrança no Brasil ainda não foi definido, mas tudo indica que será oferecido como um adicional pago pelas operadoras parceiras.

A concorrência já está na frente

Enquanto o Brasil aguarda, a concorrência avança. A AST SpaceMobile, principal rival da Starlink, já obteve autorização da Anatel para operar na mesma faixa de 2 GHz no Brasil. No exterior, a Starlink vem ampliando rapidamente sua presença:

  • Nos EUA, o serviço já saiu da fase beta e a SpaceX adquiriu cerca de 65 MHz de espectro da Echostar, o que pode tornar a empresa independente das operadoras tradicionais no futuro.
  • O Chile tornou-se o primeiro país da América Latina a lançar o Direct to Device, em novembro de 2025, com cobertura em praticamente todo o território continental e também em alto-mar, até 12 milhas náuticas da costa.
  • O serviço também está disponível no Canadá (Rogers), Austrália (Optus e Telstra), Nova Zelândia (One NZ), Japão (KDDI), Suíça (Salt), Peru (Entel) e Ucrânia (Kyivstar).
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