Bolsonaro tem fadiga e instabilidade do equilíbrio corporal, diz relatório médico

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Os relatórios médicos que chegam ao Supremo Tribunal Federal (STF) revelam um quadro delicado: o ex-presidente Jair Bolsonaro apresenta sintomas persistentes de fadiga, sonolência e instabilidade do equilíbrio corporal, efeitos colaterais diretos da medicação que utiliza . O laudo, assinado pelo médico Brasil Caiado, descreve uma realidade que vai além da simples indisposição. O ex-presidente tem demonstrado cansaço, oscilações de pressão e crises de soluço, um quadro que, embora apresente “certa estabilidade”, demanda cuidados contínuos e rigorosos, especialmente para prevenir quedas, dado o risco de exacerbação da sonolência e da instabilidade postural .

Este delicado cenário de saúde coloca em xeque a permanência de Bolsonaro em regime fechado. A defesa do ex-presidente já protocolou pedido de prorrogação da prisão domiciliar, argumentando que as condições clínicas “têm características permanentes” e que a estabilidade atual só é possível graças ao ambiente domiciliar estruturado, que oferece condições “significativamente superiores” para seu acompanhamento médico . A equipe médica alerta que, mesmo com a melhora de alguns sintomas, fatores de risco como a instabilidade postural e o risco de broncoaspiração permanecem, tornando a vigilância constante e a fisioterapia contínua elementos essenciais para sua sobrevivência .

A questão, portanto, transcende o debate político e se aprofunda no terreno jurídico e humanitário. O ministro Alexandre de Moraes, ao conceder a prisão domiciliar temporária em março, já havia considerado que o estado de saúde de Bolsonaro, que incluiu um quadro de broncopneumonia, justificava a medida excepcional . Agora, a decisão sobre a continuidade desse benefício esbarra na gravidade dos crimes pelos quais o ex-presidente foi condenado — 27 anos por liderar uma organização criminosa que tentou subverter a ordem democrática  — e na necessidade de se aplicar a lei com rigor, sem, no entanto, ignorar a dignidade da pessoa humana.

Para muitos juristas, a solução ideal seria a conversão da pena para o regime domiciliar, uma medida que não representa uma absolvição, mas o reconhecimento de que o Estado deve punir com firmeza, mas também com serenidade e humanidade . A analogia com o caso do ex-presidente Fernando Collor, que obteve o direito à prisão domiciliar devido a problemas de saúde, reforça o argumento da defesa de que o tratamento isonômico é um princípio a ser seguido . A decisão de Moraes, que deve considerar o laudo pericial da Polícia Federal e o comportamento do ex-presidente durante a prisão domiciliar, será um marco, equilibrando a necessidade de justiça com a fragilidade de um homem que, apesar de seus atos, é também um paciente em sofrimento .

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