A campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já começou a discutir a formação de um eventual ministério, caso o senador confirme a vantagem obtida no primeiro turno — quando terminou à frente de Lula (PT), com 47,03% dos votos válidos contra 45,16%. A lógica que orienta as escolhas é clara: priorizar aliados que embarcaram cedo na campanha e nomes ligados ao governo de Jair Bolsonaro.
Economia: Campos Neto na frente
Na área econômica, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto é apontado como o nome mais cotado para o Ministério da Fazenda. A ex-presidente da Caixa Daniella Marques também é mencionada, mas com maior probabilidade de assumir um ministério de Assistência Social ampliado, que incorporaria também a área da Mulher. Caso não vá para a equipe econômica, seu destino pode ser o retorno ao comando da Caixa.
Casa Civil: disputa entre Tereza Cristina e Rogério Marinho
A Casa Civil concentra a disputa mais comentada. O senador Rogério Marinho (PL-RN) e a senadora Tereza Cristina (PP-MS) são os principais cotados, com a ex-ministra da Agricultura levando vantagem. A eventual escolha de Tereza também ajudaria a reconstruir a relação com a ala do Progressistas ligada a Arthur Lira. Marinho, por sua vez, é cotado simultaneamente para a disputa da presidência do Senado em 2027 — se optar por esse caminho, a Casa Civil tende a ficar com Tereza.
Agricultura e Infraestrutura
Para a Agricultura, o deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR) é o mais cotado. Ex-presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), ele tem o aval de Tereza Cristina. A própria Tereza já sinalizou a Flávio que não pretende voltar ao ministério, mas atuará no Congresso e junto ao agronegócio em apoio ao governo.
No Ministério de Minas e Energia, a FPA pretende indicar o ex-governador de Mato Grosso e senador eleito Mauro Mendes (União-MT).
Justiça e Segurança
Se Flávio for eleito, o desenho do Ministério da Justiça e Segurança Pública tem mais de um cenário. Uma das hipóteses é a divisão da pasta: o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), apoiador de Flávio, ficaria com a Justiça, enquanto o deputado paulista Guilherme Derrite assumiria a Segurança Pública. Caso a estrutura seja mantida unificada, Derrite é o favorito.
Cultura, Educação e outros nomes
Na Cultura, o ex-secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro Mário Frias é apontado como possível titular. Para a Educação, os nomes mais comentados são o secretário de Educação de São Paulo, Renato Feder, e o secretário municipal de Educação de Porto Alegre, Leonardo Pascoal.
Outros movimentos relevantes: o ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem pode retornar ao governo, eventualmente à frente da Polícia Federal. O empresário Pablo Marçal é mencionado como possível titular de um ministério voltado ao empreendedorismo.
O papel de Jair Bolsonaro
Mesmo impedido de ocupar cargos formais por conta da condenação, Jair Bolsonaro deve ter participação ativa na gestão do filho. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou que o ex-presidente será “profundamente consultado” no governo de Flávio. Eduardo Bolsonaro foi além e sugeriu que o pai, após uma eventual anistia, poderia assumir a própria Casa Civil.





