Milton Leite se entrega após operação que investiga PCC

Compartilhar notícia

INVESTIGAÇÃO

Ex-presidente da Câmara de São Paulo compareceu à polícia com advogado; ele nega as acusações e afirma ser inocente.

O ex-vereador Milton Leite, do União Brasil, entregou-se à polícia na tarde de sexta-feira, 18 de setembro, após ter a prisão temporária decretada em uma investigação sobre a atuação do Primeiro Comando da Capital no transporte coletivo de São Paulo. Ele compareceu acompanhado de um advogado à Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes, em Mogi das Cruzes.

A apresentação foi noticiada pela Agência Brasil e ocorre um dia depois da operação Vectura Corrupta, conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público paulista. O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo estava entre os alvos procurados pelas autoridades na quinta-feira, 17 de setembro.

Ao não encontrá-lo em casa, a polícia passou a considerá-lo foragido. A assessoria de Leite contestou essa situação e informou que ele estava viajando. Em manifestação divulgada antes da apresentação, o político afirmou que compareceria às autoridades e que demonstraria sua inocência diante das acusações.

A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro e de infiltração da facção no sistema de ônibus da capital. Segundo a polícia, há indícios de envolvimento de Leite no esquema investigado. Essa avaliação corresponde à hipótese das autoridades e não representa uma condenação judicial do ex-vereador.

A operação integra a terceira fase da apuração sobre o transporte público paulistano. Conforme a reportagem da Agência Brasil publicada no dia da ação, foram expedidos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Esses números indicam ordens judiciais da operação, não um balanço de prisões efetivamente realizadas.

As diligências alcançaram São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão. O alcance territorial informado pelas autoridades mostra que a apuração vai além da sede de uma empresa ou de um único endereço, embora trate da atuação no transporte da capital.

A suspeita central envolve o uso de estruturas empresariais do setor para atividades ilícitas. A atribuição de responsabilidade depende da análise de documentos, depoimentos e demais elementos reunidos durante a investigação. A presença de alguém entre os alvos, isoladamente, não comprova participação em organização criminosa.

A prisão temporária é uma medida vinculada à investigação, distinta de uma pena imposta após julgamento. A defesa pode contestar seus fundamentos pelos caminhos judiciais cabíveis. No caso de Leite, a posição pública registrada até a reportagem consultada é a negativa de envolvimento e a afirmação de inocência.

A Agência Brasil informou que o ex-vereador seria encaminhado à cadeia pública de Mogi das Cruzes. O desdobramento confirmado mais recente é sua apresentação à polícia. Novas conclusões sobre o caso dependerão dos atos das autoridades e das decisões judiciais, com respeito ao direito de defesa e à presunção de inocência.

Fonte: Agência Brasil.

Milton Leite, em foto de arquivo. Afonso Braga/Rede Câmara.

Rolar para cima