Déficit estrutural dobra e pressiona contas do governo

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O déficit primário estrutural do governo central dobrou e chegou a 1,4% do Produto Interno Bruto no período de doze meses encerrado em junho, segundo dados da Instituição Fiscal Independente divulgados pela Revista Oeste. Um ano antes, o indicador estava em 0,7% do PIB. O resultado expõe a dificuldade da gestão Lula para equilibrar despesas permanentes e receitas recorrentes.

O cálculo estrutural tenta retirar efeitos temporários do ciclo econômico e de medidas extraordinárias. Por isso, é um termômetro importante da saúde real das contas públicas. Quando o déficit aumenta mesmo após esses ajustes, a leitura é que o problema não depende apenas de uma arrecadação momentaneamente fraca, mas da própria organização das despesas e receitas.

A IFI também registrou piora no resultado primário convencional. O saldo passou de superávit de 0,1% do PIB para déficit de 1,1% no intervalo analisado. Isso significa que, antes mesmo do pagamento de juros da dívida, o governo gastou mais do que arrecadou. A continuidade desse quadro aumenta a necessidade de endividamento e pode pressionar juros, inflação e investimentos.

O governo tem buscado novas receitas, elevação de tributos e mudanças em regras fiscais. Para o setor produtivo, porém, o contribuinte não deve ser chamado repetidamente a cobrir gastos que continuam crescendo. Responsabilidade fiscal exige prioridades claras, avaliação de programas, combate a desperdícios e coragem para conter despesas pouco eficientes.

Sob uma perspectiva conservadora, equilíbrio orçamentário não é um capricho contábil. É proteção ao salário das famílias, ao pequeno empreendedor e às próximas gerações. Dívida maior significa menos espaço para segurança, saúde, infraestrutura e educação, além de ampliar o custo do crédito para quem produz.

O dado também contrasta com o discurso de que ampliar arrecadação seria suficiente para resolver o problema. Se a estrutura de gastos permanece desequilibrada, receitas extraordinárias apenas adiam o ajuste. Uma política fiscal confiável precisa combinar metas transparentes, limites respeitados e redução do peso do Estado sobre quem trabalha.

O Executivo pode contestar projeções e apresentar medidas futuras, mas os números atuais exigem resposta objetiva. Congresso e sociedade devem acompanhar a execução do orçamento e cobrar resultados, não apenas promessas. O país precisa crescer, porém crescimento sustentável depende de segurança jurídica, investimento privado e contas públicas previsíveis.

A deterioração apontada pela IFI é um alerta. Quanto mais tempo o ajuste for adiado, maior tende a ser o custo econômico e social. A saída responsável passa por controlar despesas, preservar serviços essenciais e abandonar a ideia de que todo problema fiscal pode ser transferido ao contribuinte. A publicação da fonte principal permanece disponível para consulta e contextualização. Antes de qualquer juízo definitivo, leitores devem distinguir dados oficiais, declarações atribuídas e conclusões judiciais. Esse cuidado preserva a credibilidade do jornalismo, a liberdade do debate e o direito de defesa.

Fonte: Revista Oeste

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