Patrimônio declarado por Lula cai 35,6% desde 2022

Aliados atribuem redução a antecipação de herança; campanha remeteu esclarecimentos à Secom.

Compartilhar notícia

Patrimônio declarado por Lula cai 35,6% desde 2022

A declaração de bens apresentada por Luiz Inácio Lula da Silva à Justiça Eleitoral registra patrimônio de aproximadamente R$ 4,8 milhões em 2026, valor 35,6% inferior aos R$ 7,4 milhões declarados na eleição de 2022. Segundo aliados ouvidos pelo blog da jornalista Malu Gaspar, em O Globo, a redução ocorreu porque o presidente antecipou parte da herança aos filhos.

A diferença entre as duas declarações chega a cerca de R$ 2,6 milhões. Interlocutores de Lula afirmaram que ele desejava organizar a sucessão e ajudar os filhos com despesas. A reportagem estimou que a parcela distribuída poderia alcançar R$ 2,2 milhões, mas não apresentou documentos individualizando todas as transferências. Portanto, esse valor deve ser tratado como cálculo jornalístico, não como confirmação oficial detalhada.

A principal mudança aparece nos planos Vida Gerador de Benefício Livre, conhecidos como VGBL. Em 2022, Lula declarou R$ 5,57 milhões em um plano. Em 2026, informou dois produtos, um no Bradesco e outro no Brasilprev, que juntos somam cerca de R$ 3,3 milhões. Especialistas consultados pela reportagem disseram que antecipar herança é uma prática comum para organizar a partilha e prevenir conflitos futuros.

O tema ganhou interesse político porque extratos analisados pela CPMI do INSS já haviam indicado transferências de R$ 721 mil de Lula para Fábio Luís Lula da Silva entre julho de 2022 e dezembro de 2023. A defesa de Fábio Luís declarou anteriormente que os repasses correspondiam a adiantamento legítimo de herança, reembolso de despesas ou devolução de empréstimos.

Fábio Luís foi citado em investigações e teve pedido de indiciamento apresentado pelo relator da CPMI, Alfredo Gaspar. O relatório acabou rejeitado. Investigação, pedido de indiciamento e acusação não equivalem a condenação, e a presunção de inocência deve ser preservada.

A coluna procurou a campanha de Lula, que encaminhou a solicitação à Secretaria de Comunicação Social. A Secom respondeu que o assunto não dizia respeito ao governo. Não há indicação, na reportagem, de irregularidade tributária ou eleitoral na antecipação da herança.

Ainda assim, candidatos à Presidência devem oferecer transparência máxima sobre patrimônio e movimentações relevantes. A cobrança vale para todos os partidos. Declarações claras permitem ao eleitor distinguir planejamento familiar legítimo de dúvidas que mereçam esclarecimento, fortalecendo o controle público sem transformar suspeitas em fatos.

A Justiça Eleitoral brasileira também deve conferir cuidadosamente se os valores correspondem aos documentos apresentados, como faz com todos os concorrentes. Eventuais impostos sobre doações são matéria dos fiscos estaduais, e a reportagem não apontou inadimplência. A fiscalização precisa ser técnica, sem conclusões antecipadas nem blindagem política, assegurando tratamento rigorosamente igual e oportunidade efetiva para esclarecimentos públicos completos e documentados.

Rolar para cima