Diretor do Banco Genial e executivo ligado ao Master são alvos de nova fase da Operação Carbono Oculto

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O Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público de São Paulo, em conjunto com a Receita Federal, deflagrou nesta quinta-feira (24/09/2026) a terceira fase da Operação Carbono Oculto. A ação cumpre 27 mandados de busca e apreensão em sete estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo.
Quem são os alvos
Entre os investigados estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-diretor do Banco Genial, e o empresário Antônio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”, dono da Entre Investimentos. Segundo a Polícia Federal, Mineiro atuaria como operador financeiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e firmou acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria-Geral da República). A empresa de Freixo teria sido usada para repasses de Vorcaro destinados à produção de “Dark Horse”, cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Posicionamento do Banco Genial
Em nota, o Banco Genial esclareceu que Tupinambá não integra a diretoria nem é sócio da instituição desde maio de 2026, quando foi destituído. O banco afirmou que forneceu ao Gaeco-SP todas as informações sobre as operações envolvendo o Fundo Radford, incluindo as relacionadas às empresas Berna e Branson Holdings, e que realizou as comunicações cabíveis ao COAF. A instituição também informou ter adotado medidas de governança, renunciado à administração do Fundo Radford após a primeira fase da operação e mantido colaboração com as autoridades.
O que investiga a operação
A investigação apura a infiltração do PCC no setor de combustíveis e esquemas de lavagem de dinheiro. Entre os pontos centrais:
Usina sucroalcooleira: a primeira estrutura criada pelo grupo visava ocultar os reais proprietários de uma usina no interior de São Paulo, com operação de cerca de R$ 370 milhões em direitos creditórios, envolvendo fluxo financeiro circular por meio de FIDC.
Compra da Terrana: os R$ 100 milhões usados para viabilizar a aquisição da distribuidora de combustíveis passaram “em poucos minutos” por múltiplas contas gráficas de três empresas, ocultadas por contas-bolsão em fintechs, até aportar na usina. O valor foi aplicado em um fundo de investimento criado para o negócio, com fraude arquitetada por meio de CDB vinculado e cédulas de crédito bancário emitidas a duas “shell companies” da organização.
Blindagem patrimonial: recursos também foram usados para adquirir integralmente cotas de um fundo imobiliário, mantendo os bens sob controle econômico do grupo, mas fora do patrimônio pessoal dos investigados.
A empresa financeira empregada na aquisição simulada da usina movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. A investigação aponta ainda que os dois principais alvos da primeira fase, deflagrada em 28 de agosto de 2025, estão foragidos.

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