Ministério Público mira finanças do crime organizado

Procurador do Rio defende investigação patrimonial e recuperação de ativos para enfraquecer facções.

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O procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Antônio José Campos Moreira, defendeu que o combate ao crime organizado avance de forma decisiva sobre o patrimônio e os fluxos financeiros das facções. A declaração foi feita durante encontro com empresários e divulgada nesta quinta-feira, 3 de setembro, pela Agência Brasil.

Segundo o chefe do Ministério Público fluminense, prender lideranças continua indispensável, mas não basta para desarticular organizações que operam como estruturas empresariais. Ele afirmou que a investigação patrimonial e a recuperação de ativos passaram a orientar a atuação do órgão, com o objetivo de reduzir a capacidade econômica dos grupos criminosos.

Campos Moreira avaliou que as facções ultrapassaram a atuação tradicional no tráfico de drogas e passaram a dominar territórios e explorar diferentes atividades. Na visão apresentada pelo procurador, esse controle representa não apenas um problema de segurança pública, mas também uma questão de soberania e de funcionamento regular da economia.

O avanço criminoso sobre negócios lícitos provoca impactos em diversas frentes. Empresas regulares enfrentam concorrência de estruturas que podem operar com intimidação, lavagem de dinheiro e recursos obtidos ilegalmente. Ao mesmo tempo, estados e municípios perdem arrecadação, enquanto trabalhadores e consumidores ficam expostos a serviços controlados por grupos armados.

A estratégia de asfixia financeira busca identificar bens, empresas, contas, intermediários e mecanismos usados para esconder ou movimentar valores. Quando respaldadas por provas e autorização judicial, medidas como bloqueio, sequestro e confisco de ativos podem atingir a base que financia armas, logística, corrupção e expansão territorial.

O procurador ressaltou que investigação, processo, condenação e prisão permanecem necessários. A proposta é somar a essas respostas uma atuação capaz de retirar do crime o lucro que sustenta suas operações. A recuperação patrimonial também pode devolver recursos à sociedade, conforme as regras legais aplicáveis a cada processo.

Essa abordagem exige integração entre Ministérios Públicos, polícias, órgãos fiscais, unidades de inteligência financeira e Poder Judiciário. O compartilhamento legal de informações ajuda a reconstruir cadeias societárias e operações usadas para dissimular a origem do dinheiro. Ao mesmo tempo, as diligências devem respeitar o devido processo, a presunção de inocência e as garantias individuais.

A fala de Campos Moreira recoloca a dimensão econômica no centro da política de segurança. Enfraquecer o caixa das facções reduz sua capacidade de corromper, recrutar e ocupar mercados. A mesma lógica protege empresários honestos, trabalhadores e consumidores submetidos à concorrência desleal e à coerção territorial. Indicadores públicos de valores bloqueados, recuperados e destinados permitirão acompanhar a efetividade dessa política. O desafio agora é transformar essa prioridade em investigações duradouras, decisões judiciais fundamentadas e recuperação efetiva dos ativos ligados a crimes comprovados.

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