O furto de fios de cobre provocou prejuízo superior a R$ 69 milhões aos cofres públicos do Rio de Janeiro entre 2021 e 2025. O dado foi divulgado nesta quinta-feira, 3 de setembro, pela Agência Brasil, após a primeira ação operacional de um núcleo integrado criado para combater furtos e receptação de cabos na cidade.
A operação reuniu forças de segurança e a prefeitura, com fiscalização concentrada em ferros-velhos. Esses estabelecimentos são pontos relevantes para a investigação porque materiais retirados de redes de energia, telecomunicações e sinalização podem ser desmontados e revendidos como sucata. A responsabilização, contudo, depende de prova sobre a origem ilícita e a conduta de cada envolvido.
Parte expressiva do prejuízo está ligada à sinalização viária. A Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio registrou o furto de quase 500 quilômetros de cabos de semáforos no período analisado, com perdas estimadas em R$ 27 milhões. Além do custo da reposição, a retirada dos fios prejudica o funcionamento dos sinais e aumenta o risco de acidentes e congestionamentos.
Os danos também atingem outros serviços essenciais. O desaparecimento de cabos pode interromper iluminação, comunicação e equipamentos públicos, obrigando equipes a refazer instalações que já haviam sido pagas pelo contribuinte. Assim, o prejuízo não se limita ao valor do cobre: envolve mão de obra, equipamentos, deslocamento emergencial e redução da qualidade dos serviços.
O núcleo integrado pretende atuar tanto sobre os autores dos furtos quanto sobre a cadeia de receptação. Sem compradores dispostos a adquirir material de procedência duvidosa, o incentivo econômico ao crime diminui. Fiscalização, rastreabilidade e controle das transações ajudam a separar empresas regulares de estabelecimentos utilizados para dar aparência legal a produtos furtados.
A iniciativa demonstra a importância de tratar crimes patrimoniais repetitivos com inteligência e coordenação. Prisões isoladas podem interromper uma ocorrência, mas a redução duradoura depende de mapear rotas, identificar compradores e acompanhar padrões de venda. A cooperação entre município e forças policiais permite combinar registros de danos, imagens, notas fiscais e dados de fiscalização.
Para a população, o resultado esperado é a continuidade dos serviços e o uso mais responsável do dinheiro público. Cada cabo substituído por causa de furto representa recurso que deixa de ser investido em melhorias. A prevenção também protege trabalhadores que realizam reparos em áreas de risco.
A operação seguirá apurando possíveis irregularidades nos pontos fiscalizados. Eventuais suspeitos terão direito de defesa, e somente as provas reunidas poderão sustentar denúncias e condenações. O foco institucional é reduzir a receptação, recuperar materiais e impedir que a cidade continue pagando uma conta milionária causada por redes criminosas. Resultados mensuráveis deverão mostrar se a iniciativa reduz furtos e custos de reposição.





