“Por segurança”, irmãos do jogo do bicho ganham cela privada em presídio lotado

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Agepen nega favorecimento e atribui isolamento de Jorge e Rafael Razuk a uma reclassificação de risco após operações policiais envolvendo familiares.

A administração da Penitenciária Estadual de Dourados (PED) tornou-se alvo de questionamentos após a divulgação de que os irmãos Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk estão mantidos isoladamente em uma cela da Cadeia Linear. A unidade, considerada a maior de Mato Grosso do Sul, enfrenta um cenário de superlotação.
Segundo informações publicadas pelo Campo Grande News, os dois custodiados estariam ocupando sozinhos um espaço com capacidade para receber outros detentos. Antes da transferência, eles também teriam permanecido no Raio IV, setor destinado ao atendimento de saúde, embora não apresentassem condição clínica que justificasse a permanência no local.
A Agepen confirmou que os irmãos estão em uma área isolada, mas negou a existência de qualquer privilégio. O órgão explicou que ambos permaneciam anteriormente em uma cela compartilhada e foram transferidos após uma nova classificação de risco, motivada pelas operações policiais envolvendo integrantes da família.
De acordo com a agência penitenciária, a providência faz parte das estratégias internas destinadas a prevenir conflitos e preservar a ordem dentro do presídio. A justificativa, entretanto, não elimina a necessidade de transparência sobre os critérios adotados, principalmente diante da superlotação enfrentada pelos demais presos.
Jorge e Rafael foram presos em novembro de 2025, durante a quarta fase da Operação Successione. O Ministério Público de Mato Grosso do Sul sustenta que eles e o pai, o ex-deputado estadual Roberto Razuk, integrariam o núcleo de uma organização criminosa relacionada à exploração de jogos de azar.
A investigação também apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional e outros crimes. As defesas negam a existência da organização criminosa e afirmam que as acusações serão contestadas judicialmente. Não há condenação definitiva, e os envolvidos conservam o direito à presunção de inocência.
Sob uma perspectiva conservadora, o Estado precisa garantir simultaneamente segurança, disciplina e igualdade na execução penal. A proteção de presos ameaçados pode ser necessária, mas qualquer tratamento diferenciado deve possuir justificativa técnica documentada e fiscalização rigorosa.
Privilégios pessoais ou políticos seriam incompatíveis com o princípio republicano. Da mesma forma, seria irresponsável expor custodiados a riscos previsíveis somente para atender pressões externas. Cabe à Agepen demonstrar que a decisão foi exclusivamente operacional e proporcional à ameaça identificada.
O caso exige acompanhamento dos órgãos fiscalizadores para assegurar que os critérios sejam aplicados de maneira impessoal. Em um sistema prisional sobrecarregado, segurança não pode se transformar em benefício indevido, mas também não deve ser abandonada por conveniência política.

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