O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, defendeu o fim da reeleição para cargos do Executivo e uma reforma política capaz de reduzir o uso eleitoral da máquina pública. A manifestação ocorreu nesta quinta-feira, 20, durante sabatina promovida por O Globo, Valor Econômico e CBN, conforme reportagem da Revista Oeste.
Tarcísio disputa a reeleição no maior Estado do país, mas afirmou ser favorável a uma mudança para os próximos ciclos. A proposta discutida prevê mandatos mais longos, sem possibilidade de recondução imediata. Para o governador, o modelo permitiria que presidentes, governadores e prefeitos concentrassem esforços na gestão, em vez de organizar o governo desde o primeiro dia em função da campanha seguinte.
O debate é antigo, mas ganha relevância em um momento de forte desconfiança sobre gastos públicos, publicidade institucional, liberação de verbas e expansão de programas às vésperas das eleições. Quem ocupa o Executivo possui visibilidade, estrutura e capacidade de anunciar medidas que nenhum adversário consegue reproduzir. Regras mais claras poderiam diminuir essa vantagem e fortalecer a igualdade da disputa.
Sob a perspectiva conservadora, a proposta merece atenção por incentivar responsabilidade e alternância de poder. A política não deve se transformar em carreira vitalícia financiada pelo contribuinte. Mandatos com começo, meio e fim obrigam o governante a entregar resultados dentro de um período determinado e abrem espaço para novas lideranças.
O fim da reeleição, porém, precisa vir acompanhado de mecanismos de controle. Um mandato mais longo não pode significar menos fiscalização. Tribunais de Contas, Assembleias, Câmaras Municipais, Congresso, imprensa e sociedade devem manter instrumentos para acompanhar despesas, contratos e metas. Também será necessário definir regra de transição que não beneficie os atuais ocupantes.
Durante a sabatina, Tarcísio falou ainda sobre composições partidárias e diferenças entre realidades regionais. O governador defendeu que alianças considerem as condições locais, reconhecendo que o desenho político do Sul e do Sudeste não se repete automaticamente no Nordeste. A afirmação reforça uma estratégia pragmática, sem abandonar compromissos programáticos.
Qualquer alteração no sistema de mandatos depende de emenda constitucional aprovada por três quintos da Câmara e do Senado em dois turnos. Portanto, a proposta exige amplo acordo nacional. Tarcísio coloca na agenda uma discussão necessária: como reduzir o personalismo e fazer o Estado servir ao cidadão, não ao projeto eleitoral de quem governa. A reforma será positiva se combinar alternância, controle de gastos, partidos mais coerentes e segurança jurídica. O eleitor precisa receber compromissos verificáveis, e o governante deve ser julgado pela eficiência, pela integridade e pelo legado entregue. O Congresso deve discutir o tema sem atalhos eleitorais e com participação pública real. Mudanças casuísticas apenas agravariam a desconfiança popular.


