Plataforma Placar STF analisou 27,4 mil documentos sobre os 331 postulantes às 54 vagas em disputa neste ano
Uma plataforma batizada de Placar STF mapeou as posições dos candidatos ao Senado nas eleições de 2026 sobre um tema que promete dominar o debate nos próximos meses: o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. O levantamento, divulgado nesta segunda-feira (17), identificou 61 candidatos com manifestações favoráveis à medida, entre os 331 nomes que disputam as 54 cadeiras em jogo neste pleito.
Criada pelo ex-vereador de Curitiba e candidato a deputado estadual Rodrigo Marcial (Novo-PR), autor do livro “Dossiê Moraes” e defensor declarado do impeachment de ministros da Corte, a ferramenta foi construída com rigor metodológico incomum para esse tipo de iniciativa. A equipe fez 11.840 buscas em mecanismos de pesquisa, sites de órgãos oficiais e portais de notícias, lendo ao todo 27.430 documentos — uma média de 82,9 documentos por candidato —, além de 3.236 documentos provenientes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados.
O critério de inclusão é rigoroso: cada posição atribuída a um candidato precisa de fonte verificável, com endereço eletrônico, data e transcrição literal do trecho utilizado. A plataforma organiza os candidatos por estado e permite consultar, em cada perfil, a posição atribuída, a data da manifestação, a categoria da evidência, a transcrição utilizada e o documento original — um nível de transparência que muitas instituições oficiais ainda não oferecem ao eleitor.
Um detalhe importante do método: críticas ao STF ou a ministros da Corte, isoladamente, não são consideradas apoio ao impeachment, e a plataforma também não deduz a posição de um candidato apenas com base em sua filiação partidária. Um dos exemplos apresentados é o de Carlos Bolsonaro, candidato ao Senado pelo PL por Santa Catarina, cujo caso foi analisado a partir de 182 textos que mencionam o filho “02” de Jair Bolsonaro, sem presunção automática de posicionamento.
Segundo Marcial, a plataforma poderá receber atualizações até o primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro. O resultado atual mostra que o desgaste do STF junto ao eleitorado conservador segue como um dos eixos centrais da campanha ao Senado, com potencial de reconfigurar o equilíbrio de forças entre os Poderes a partir de 2027 — ano em que a nova legislatura poderá, enfim, discutir com números concretos o excesso de protagonismo do Judiciário sobre a vida política do país.





