O ex-capitão do Batalhão de Operações Policiais Especiais do Rio de Janeiro Rodrigo Pimentel afirmou que o governo Lula deixou de atuar para recuperar territórios dominados pelo crime organizado. A declaração foi dada durante o 13º Fórum Caminhos da Liberdade, realizado em São Paulo, e divulgada pela Revista Oeste na noite de quinta-feira, 14.
Pimentel sustentou que apreender drogas e esclarecer homicídios são medidas importantes, mas insuficientes quando o poder público não retoma o controle territorial. Para ele, qualquer estratégia nacional contra facções fracassa se comunidades inteiras continuam submetidas a criminosos que impõem regras, exploram serviços clandestinos e intimidam moradores.
O especialista comparou a situação brasileira com a do México. Segundo os dados citados por ele, aproximadamente 9% da população mexicana vive em áreas sob influência ou domínio de organizações criminosas. No Brasil, a proporção chegaria a cerca de 25%. Os números foram apresentados por Pimentel e reforçam a dimensão do desafio, embora dependam da metodologia utilizada nas estimativas.
Como exemplo de ação ostensiva, o ex-capitão mencionou a Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro. A operação buscava conter a expansão territorial do Comando Vermelho e terminou com 121 mortos, incluindo quatro policiais, conforme balanço oficial citado pela reportagem.
Pimentel ressaltou que confronto policial isolado não resolve o problema. Ele defendeu presença permanente do Estado nas favelas, com segurança, saúde, educação, saneamento e lazer. A proposta combina repressão qualificada às facções com serviços capazes de impedir que criminosos ocupem o espaço abandonado pelo poder público.
O ex-integrante do Bope também apontou o trabalho conjunto do governo de São Paulo e da prefeitura da capital no enfrentamento da cracolândia. O último grande ponto de concentração na Rua dos Protestantes foi esvaziado em maio de 2025, depois de décadas de cenas abertas de consumo de drogas.
Para a direita conservadora, segurança pública não pode ser tratada como tema secundário nem subordinada a discursos ideológicos. O primeiro direito de uma família é viver sem medo. Isso exige inteligência policial, endurecimento contra lideranças criminosas, controle de fronteiras, proteção aos agentes e ocupação duradoura das áreas recuperadas.
A crítica de Pimentel é uma opinião de um especialista com experiência operacional, não uma conclusão judicial. Ainda assim, ela cobra do governo federal uma resposta objetiva: qual é o plano nacional para devolver territórios aos cidadãos?
Enquanto o Planalto não apresentar metas, recursos e responsabilidades claras, facções continuarão avançando sobre comunidades e setores econômicos. A população precisa de resultados mensuráveis, cooperação federativa e autoridade legítima. Combater o crime organizado significa restaurar a liberdade de quem hoje vive sob um poder paralelo.




