O governo dos Estados Unidos incluiu o Brasil em um documento de alerta sobre países que poderiam servir de rota para mercadorias chinesas destinadas a contornar tarifas norte-americanas. A informação foi divulgada pela Revista Oeste nesta sexta-feira, 14, com base em relatório da Casa Branca.
O diretor de Política Comercial do governo Donald Trump, Peter Navarro, apresentou a publicação como um aviso global contra fraudes no comércio internacional. O Brasil foi colocado no segundo nível de risco, ao lado de Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã.
Segundo o relatório, países latino-americanos recebem cargas asiáticas pelos oceanos Pacífico e Atlântico, armazenam produtos em depósitos alfandegados ou realizam etapas rápidas de montagem antes de enviá-los aos portos dos Estados Unidos com origem declarada diferente.
A análise menciona Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e Peru como corredores regionais. O nível mais alto reúne grandes exportadores como Canadá, União Europeia e Japão, enquanto o patamar inferior inclui economias menores, entre elas Camboja, Laos e Panamá.
A própria Casa Branca reconheceu que mudanças nas cadeias de fornecimento não significam necessariamente crime. Empresas podem transferir investimentos e etapas produtivas de maneira legítima. O documento, porém, adota conceito amplo ao considerar vinculada a Pequim qualquer mercadoria com componentes, financiamento ou produção chinesa.
A acusação exige resposta técnica do governo brasileiro. Cabe ao Ministério do Desenvolvimento e à Receita Federal demonstrar como funcionam os controles de origem, as inspeções e a cooperação aduaneira. Negar politicamente o problema sem apresentar dados pode ampliar a desconfiança dos principais parceiros comerciais.
Sob uma perspectiva conservadora, o Brasil não deve se transformar em extensão logística dos interesses do regime chinês. A relação comercial com Pequim é relevante para o agronegócio e a indústria, mas precisa conviver com soberania, regras transparentes e equilíbrio nas relações com os Estados Unidos.
O governo Lula aprofundou a aproximação diplomática com a China e frequentemente adota discurso crítico a Washington. Essa orientação pode gerar custos se o país for percebido como tolerante com triangulações destinadas a escapar de tarifas legítimas aplicadas pelo mercado americano.
Também é necessário proteger exportadores brasileiros que atuam corretamente. Uma classificação de risco ampla pode atingir empresas inocentes, atrasar cargas e elevar despesas. Por isso, rastreabilidade e certificação de origem interessam diretamente ao setor produtivo nacional.
O relatório não prova que o governo brasileiro organizou fraudes nem identifica, na reportagem, empresas específicas condenadas. Ele representa uma acusação oficial grave que deve ser esclarecida. Política externa responsável exige diálogo com Washington, defesa do produtor brasileiro e recusa a esquemas que coloquem o país no centro de uma guerra comercial. O silêncio do Planalto apenas aumentaria o risco de novas barreiras.





