O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega à reta final de seu terceiro mandato com compromissos relevantes da campanha de 2022 ainda sem cumprimento. Levantamento publicado pela Gazeta do Povo comparou o programa registrado no Tribunal Superior Eleitoral e declarações públicas do petista com as medidas efetivamente entregues até julho de 2026.
Entre as promessas lembradas está o fim dos sigilos de cem anos. O governo revisou documentos protegidos pela gestão anterior e a Controladoria-Geral da União alterou critérios de transparência, mas informações relacionadas à primeira-dama Janja permaneceram submetidas a restrições de acesso. A prática antes criticada pelo PT, portanto, não desapareceu.
Na segurança pública, Lula prometeu recriar um ministério específico para coordenar o combate nacional ao crime. A pasta não foi instalada. Uma proposta de emenda constitucional apresentada como alternativa continuava aguardando avanço no Congresso no fim de julho, enquanto facções ampliaram sua presença e governadores seguiram cobrando integração e recursos.
O saneamento também ficou distante da universalização anunciada. Dados citados pelo Instituto Trata Brasil indicam que aproximadamente 33 milhões de brasileiros ainda vivem sem água potável e cerca de 90 milhões não possuem coleta de esgoto. A eletrificação avançou para quase toda a população, mas o conjunto da infraestrutura básica prometida não foi concluído.
A lista também inclui a ampliação nacional do atendimento especializado a mulheres vítimas de violência. Houve inaugurações e ações locais, mas a rede não alcançou todos os estados e milhares de municípios continuam sem estrutura completa. O contraste entre propaganda e cobertura real mostra por que políticas públicas devem ser avaliadas por capilaridade, qualidade e resultado, não apenas pelo anúncio de programas ou cerimônias oficiais.
Outros compromissos envolveram a revisão da reforma trabalhista, maior transparência nas emendas parlamentares e a decisão de não buscar um novo mandato. Lula foi oficializado candidato à reeleição neste domingo, 2 de agosto. O governo apresenta programas sociais, aumento real do salário mínimo e retomada de investimentos como contrapontos, mas essas entregas não eliminam a necessidade de comparar promessas específicas com resultados verificáveis.
Campanhas eleitorais não podem ser avaliadas apenas por discursos emocionais ou pela repetição de slogans. O eleitor precisa examinar metas, prazos e consequências. Quando compromissos importantes ficam pelo caminho e novas promessas surgem antes das urnas, a cobrança é legítima. A democracia exige memória: quem pede mais quatro anos deve primeiro explicar por que não entregou aquilo que prometeu nos quatro anteriores.
Esse balanço não dispensa reconhecer avanços reais, mas impede que a propaganda substitua indicadores públicos, prazos e compromissos documentados durante a campanha anterior.





