A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira, 30, colocou Ciro Gomes, recém-filiado ao PSDB, na liderança da disputa pelo governo do Ceará em cenários de primeiro e segundo turno. O resultado impõe um alerta ao PT em um Estado historicamente tratado como uma de suas principais fortalezas eleitorais.
No cenário de primeiro turno, Ciro aparece com 43% das intenções de voto. O atual governador Elmano de Freitas, do PT, registra 33%, enquanto o senador Eduardo Girão, do Novo, tem 3%. Jarir Pereira, do Psol, soma 1%, e os demais candidatos aparecem com zero. Indecisos são 13%, e brancos, nulos ou eleitores que não pretendem votar representam 7%.
Na simulação de segundo turno, Ciro amplia a vantagem: 48% contra 35% de Elmano. A diferença chega a 13 pontos percentuais. Outros 10% se declaram indecisos e 7% afirmam que votariam em branco, nulo ou não compareceriam.
A rejeição é outro dado preocupante para o petismo. Elmano lidera o índice dos candidatos em quem o eleitor afirma não votar de forma alguma, com 39%. Ciro e Girão aparecem com 32% cada. A pesquisa mostra que a administração estadual é aprovada por 52% e desaprovada por 33%, mas essa avaliação não se converte automaticamente em preferência pelo candidato do PT.
O levantamento ouviu 1.002 eleitores com 16 anos ou mais entre 24 e 28 de julho. A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob o código CE-09277/2026.
Os números indicam que o eleitor cearense separa a avaliação administrativa da escolha eleitoral. A força pessoal de Ciro, sua experiência como ex-governador e sua ruptura com o campo lulista formam um desafio concreto para a máquina estadual do PT.
Para a direita, o cenário também exige realismo. Girão representa uma alternativa conservadora coerente, mas aparece distante dos dois primeiros colocados. O crescimento de uma candidatura de centro-direita ou oposição ao PT pode abrir espaço para alianças e compromissos em segurança, responsabilidade fiscal e liberdade econômica.
A vantagem de Ciro não define a eleição. Campanha, alianças, tempo de propaganda e desempenho nos debates podem alterar a disputa. Ainda assim, o retrato atual quebra a narrativa de domínio automático do PT no Nordeste e mostra que a insatisfação com o partido alcança até seus territórios mais tradicionais.
O resultado nacionalmente relevante é claro: a sigla de Lula entra na campanha cearense pressionada, com o candidato de maior rejeição e atrás nos dois turnos. A oposição terá a oportunidade de transformar esse desgaste em uma agenda de mudança concreta.
Fonte: Revista Oeste e Genial Quaest — https://revistaoeste.com/politica/quaest-ciro-gomes-lidera-corrida-pelo-governo-do-ceara-no-1-e-2-turnos/





