Lula ataca Trump e silencia sobre vistos negados

Presidente critica tarifas em jornal americano, mas evita explicar por que seu governo barrou funcionários dos Estados Unidos.

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Lula ataca Trump e silencia sobre vistos negados

Lula publicou neste domingo (26) um artigo no Washington Post para atacar as tarifas impostas pelo governo Donald Trump e acusar autoridades americanas de espalhar “mentiras”. O texto apareceu pouco mais de um dia depois de o Brasil negar vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que pretendiam tratar do sistema eleitoral brasileiro, episódio omitido pelo presidente em sua argumentação.

O petista classificou a taxação de 25% sobre importações brasileiras, seguida por outra sobretaxa de 12,5%, como injusta e estrategicamente errada. Segundo Lula, empresas e consumidores americanos também serão prejudicados porque setores dos Estados Unidos dependem de insumos brasileiros. O impacto comercial merece negociação firme, baseada em dados e na defesa dos produtores nacionais.

O problema é a seletividade do discurso. Lula afirma defender diálogo aberto, mas seu governo fechou a porta para emissários de uma democracia aliada sem oferecer explicação pública suficientemente detalhada sobre critérios e riscos concretos. A soberania não autoriza opacidade. Ao contrário: decisões que afetam relações diplomáticas e a confiança no processo eleitoral exigem justificativas técnicas, documentos e tratamento institucional.

No artigo, Lula também criticou o secretário de Estado Marco Rubio e relacionou as tarifas à situação de Jair Bolsonaro. O presidente escreveu que ninguém derrotará o Brasil com mentiras e rejeitou “restrições ideológicas” à parceria bilateral. A frase contrasta com a política externa petista, marcada por proximidade com Cuba, Venezuela e Nicarágua e por resistência a críticas contra regimes de esquerda.

Lula defendeu cooperação continental contra pobreza e desigualdade e minimizou a abordagem americana que classifica grandes facções do narcotráfico como organizações terroristas. O governo brasileiro argumenta que esses grupos buscam lucro, não poder político. Contudo, facções controlam territórios, impõem regras, dominam mercados e desafiam o Estado. Negar essa dimensão não fortalece a soberania; apenas reduz a pressão por uma resposta mais eficaz.

Tarifas amplas podem prejudicar empresas e empregos dos dois países, e a direita brasileira não deve celebrar danos à economia nacional. Mas também não pode aceitar que o Planalto use empresários como escudo para evitar perguntas sobre suas escolhas diplomáticas. Defender o Brasil inclui cobrar do governo competência negociadora, segurança jurídica e transparência eleitoral.

A saída responsável passa por reciprocidade, negociações técnicas e prestação de contas. O Congresso deve convocar o Itamaraty para explicar os vistos negados e acompanhar os efeitos das tarifas por setor. Lula prefere um artigo internacional de tom eleitoral a responder diretamente aos brasileiros. Em uma democracia, soberania pertence à nação, não ao governante de turno, e não pode ser usada como slogan para esconder decisões controversas.

Produtores e exportadores também devem participar das tratativas, com números públicos, metas e um cronograma transparente de revisão das medidas.

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