Quem é o ex-major da PM que construiu um império bilionário com o narcotráfico?

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A história de Sérgio Roberto de Carvalho, o ex-major da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul conhecido como o “Pablo Escobar brasileiro”, é um conto de queda livre que parece saído de um roteiro de cinema. É a trajetória de um homem que jurou proteger a sociedade e, em vez disso, construiu um império bilionário sobre as ruínas de sua própria honra, usando o conhecimento privilegiado do crime para se tornar um dos maiores traficantes internacionais do país .

Carvalho foi um oficial da PMMS, mas sua carreira no crime começou cedo. Já em 1998, foi condenado por tráfico de cerca de 230 quilos de cocaína. Apesar das condenações, a máquina burocrática do Estado foi lenta: ele só foi expulso da corporação em 2018 .

Sua vida dupla, no entanto, já havia se transformado em uma operação internacional. Ele se tornou o líder de uma organização criminosa que enviava toneladas de cocaína dos portos brasileiros — especialmente Paranaguá e Natal — para a Europa, África e Ásia . O lucro estimado era estratosférico: pelo menos meio bilhão de euros, ou cerca de R$ 2,9 bilhões, movimentados por uma complexa teia de empresas de fachada e lavagem de dinheiro .

O Camaleão na Europa

Para viver no Velho Continente, o ex-major se tornou um mestre do disfarce. Na costa sul da Espanha, em Marbella, ele adotou a identidade de Paul Wouter, um empresário do Suriname, e vivia em uma mansão avaliada em 2 milhões de euros .

Sua habilidade para enganar as autoridades quase funcionou. Em agosto de 2020, a polícia espanhola o prendeu como Paul Wouter, mas ele pagou fiança e foi solto. Para evitar um julgamento e sumir de vez, ele forjou a morte de seu próprio alter ego. Os juízes espanhóis receberam um atestado de óbito falso, datado de 29 de agosto de 2020, afirmando que “Paul Wouter” havia morrido de covid-19. O plano parecia perfeito, mas uma simples coincidência o desmascarou: as impressões digitais do “empresário” morto coincidiam com as do ex-major brasileiro .

O Julgamento na Bélgica e o Império em Frangalhos

A farsa durou até 2022, quando Carvalho foi preso na Hungria em uma operação conjunta da Polícia Federal, Interpol e polícia portuguesa . Extraditado para a Bélgica, ele agora enfrenta a Justiça pelo esquema que movimentou ao menos 45 toneladas de cocaína para o continente europeu, operado ao lado do belga Flor Bressers .

Contudo, o julgamento, conhecido como Operação Samba, tornou-se um labirinto judicial. Em uma reviravolta, a Corte de Apelação de Gante afastou três juízes por suspeita de parcialidade, forçando o reinício de todo o processo, que foi marcado por tensões e pedidos de suspeição . Enquanto isso, Carvalho permanece preso, aguardando um novo julgamento que pode definir o fim de sua saga .

A história de Sérgio Roberto de Carvalho é um lembrete sombrio de como a corrupção pode corroer as instituições. O “Major Carvalho”, que deveria ser um símbolo de lei e ordem, se tornou um dos líderes do crime organizado no Brasil, um império construído com identidades falsas, documentos forjados e uma cobiça que o levou ao topo e, finalmente, à sua queda na Europa .

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