Indústria classifica novo tarifaço como duro golpe

CNI alerta que sobretaxa atinge 47% das exportações da indústria de transformação e expõe o custo da diplomacia brasileira.

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Linha de produção industrial brasileira em fotografia de arquivo.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou nesta quinta-feira (23) como um “duro golpe” a nova tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A medida entrou em vigor na quarta-feira e atinge principalmente a indústria de transformação, setor responsável por empregos qualificados, tecnologia e parte relevante das exportações nacionais.

Segundo a entidade, 47% do valor exportado pela indústria de transformação passa a ser alcançado pela nova barreira. O impacto recai sobre empresas que já enfrentam juros elevados, impostos, burocracia e custos logísticos. A crise mostra como decisões diplomáticas e econômicas do governo federal podem chegar rapidamente ao chão de fábrica e ao bolso do trabalhador.

A CNI considerou oportuno o pacote de R$ 18,5 bilhões anunciado pelo Planalto para oferecer crédito às empresas afetadas. O socorro, porém, trata a consequência sem resolver a origem do problema. Recursos públicos podem aliviar perdas imediatas, mas não substituem uma política externa previsível, diálogo comercial eficiente e reformas capazes de reduzir o chamado Custo Brasil.

A sobretaxa alcança produtos como aço, alumínio, automóveis, móveis, madeira, máquinas, equipamentos elétricos, calçados, papel e açúcar. Cerca de 2,1 mil itens ficaram isentos, incluindo aeronaves civis, café e terras raras. Mesmo com as exceções, setores estratégicos precisarão rever contratos, preços e investimentos.

A oposição responsabiliza a postura ideológica de Lula pelo agravamento da relação com Washington. O governo sustenta que defende a soberania nacional e busca novos mercados. Para quem produz, entretanto, o resultado concreto é uma barreira de 25%, acompanhada do risco de outra sobretaxa de até 12,5% por alegadas falhas no combate a mercadorias produzidas com trabalho forçado.

O episódio reforça a necessidade de uma política econômica liberal, com menos impostos, segurança jurídica e diplomacia orientada por resultados. O Brasil não pode transformar empresas e trabalhadores em reféns de confrontos políticos. A prioridade deve ser recuperar mercados, proteger empregos e criar condições para que a indústria compita sem depender permanentemente de crédito estatal.

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