As empresas estatais federais registraram déficit em todos os anos da atual gestão, interrompendo uma trajetória de superávits que se estendeu durante o governo anterior. A mudança de sinal nas contas do setor público não é meramente estatística – representa um movimento relevante para a composição do resultado primário do governo e acende alertas sobre a gestão de empresas estratégicas.
Dados consolidados apontam que, entre 2019 e 2022, o conjunto de estatais dependentes e não dependentes do Tesouro Nacional entregou saldos positivos, contribuindo para o equilíbrio fiscal. Já a partir de 2023, ano de início do mandato atual, os números passaram a operar no vermelho, com tendência de agravamento a cada ano.
| Ano | Resultado das Estatais |
|---|---|
| 2019 | Superávit |
| 2020 | Superávit |
| 2021 | Superávit |
| 2022 | Superávit |
| 2023 | Déficit |
| 2024 | Déficit |
| 2025 | Déficit |
| 2026 | Déficit (até o momento) |
Embora o montante exato do rombo em 2026 ainda dependa do fechamento do exercício, projeções preliminares indicam que o resultado negativo deve se manter. Especialistas apontam que a reversão não pode ser atribuída a um único fator, mas a uma combinação de elementos: política de preços de combustíveis, repasses do Tesouro, custos operacionais e decisões de investimento.
A trajetória ganha relevância em um momento em que o governo federal tem discutido novos cortes de gastos para cumprir o arcabouço fiscal. As estatais, historicamente usadas como instrumento de política econômica, voltam ao centro do debate sobre a eficiência do Estado e o impacto de sua gestão sobre o déficit público.
Em nota técnica, a equipe econômica reconheceu a piora do resultado, mas atribuiu parte do movimento a fatores extraordinários, como a variação cambial e a recomposição de estoques regulatórios. Críticos, por outro lado, apontam que o retorno ao vermelho revela problemas estruturais na gestão dessas empresas e alertam para o risco de a conta das estatais se transformar em um problema crônico, em vez de episódico.
A expectativa para os próximos meses é de atenção redobrada ao desempenho das principais estatais – Petrobras, Eletrobras, Caixa e Banco do Brasil –, cujos resultados têm peso desproporcional no consolidado do setor público. O mercado aguarda ainda o detalhamento dos números oficiais, previsto para o segundo semestre, para avaliar com mais precisão a extensão do impacto fiscal.





