A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender por 90 dias as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro gerou forte reação da cúpula bolsonarista. O pré-candidato à Presidência classificou a medida como uma tentativa de interferir no processo eleitoral, uma vez que o veto se estende até depois do primeiro turno das eleições de outubro .
A suspensão foi motivada pela leitura, por Flávio Bolsonaro, de uma carta escrita pelo ex-presidente durante uma transmissão ao vivo nas redes sociais no último sábado (11). No documento, Jair Bolsonaro reafirma apoio à pré-candidatura do filho e o apresenta como seu “porta-voz” e “a melhor opção para livrar o Brasil da corrupção” . Para Moraes, a conduta configura desrespeito às medidas cautelares que proíbem o ex-presidente de utilizar redes sociais “diretamente ou por intermédio de terceiros” .
Em sua decisão, o ministro também determinou que a defesa de Jair Bolsonaro preste esclarecimentos no prazo de 48 horas e encaminhou o caso à Procuradoria-Geral Eleitoral para avaliar eventual ocorrência de propaganda eleitoral antecipada .
Reação de Eduardo e articulação internacional
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos e teve o mandato cassado, intensificou as críticas. Em publicação nas redes sociais, ele questionou a legitimidade do pleito brasileiro: “Se em todo um país apenas um prisioneiro é proibido de se comunicar com seu filho – e candidato à Presidência – por razões políticas, esta eleição não deveria, de antemão, ser reconhecida como democrática pelos países livres” .
Na sequência, Eduardo defendeu que o governo norte-americano restabeleça as sanções da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes . A punição foi aplicada em julho de 2025 e revogada em dezembro do mesmo ano, após tratativas diplomáticas entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump .
Eduardo, que foi condenado pelo STF a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no processo judicial contra o pai , afirmou que segue articulando nos EUA pela retomada das sanções. “Há uma real possibilidade de retorno da Magnitsky”, declarou, mencionando que disputa a atenção do presidente americano para pautar o assunto .
O ex-deputado também revelou que Flávio Bolsonaro deve usar a visita do presidente argentino Javier Milei ao Brasil para constranger Moraes. Segundo Eduardo, Milei deverá pedir para visitar Jair Bolsonaro, o que colocaria o ministro em uma “saia justa” ao decidir permitir ou negar o encontro .
Histórico e disputas internas
Interlocutores de Flávio Bolsonaro afirmam que o pré-candidato não consultou sua equipe jurídica antes de divulgar a carta . A decisão de Jair Bolsonaro de escrever o documento teria sido motivada por seu incômodo com os atritos entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em torno da sucessão política do ex-presidente .
A medida de Moraes ocorre em meio à escalada da tensão entre o STF e o campo bolsonarista, com o ministro sendo alvo frequente de críticas e de articulações internacionais para sua punição . O governo americano havia retirado as sanções contra Moraes em dezembro de 2025, mas os Bolsonaro seguem pressionando pela volta da medida .
Procurado, o STF não se manifestou sobre as novas declarações de Eduardo Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes, em sua decisão, reiterou que a proibição das visitas busca garantir o cumprimento das medidas cautelares impostas a Jair Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado .





