A crise entre o clã Bolsonaro e o Supremo Tribunal Federal (STF) ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (13). O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que vive nos Estados Unidos e teve o mandato cassado, pediu publicamente que o governo norte-americano restabeleça as sanções da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes .
O pedido veio horas após Moraes suspender, por 90 dias, as visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e três meses em prisão domiciliar na Superintendência da Polícia Federal em Brasília .
O estopim: carta lida em rede social
A decisão do ministro foi motivada pela leitura de uma carta, durante transmissão ao vivo nas redes sociais no último sábado (11), em que o ex-presidente reafirma apoio à pré-candidatura presidencial do filho e o apresenta como seu “porta-voz” e “a melhor opção para livrar o Brasil da corrupção” .
Para Moraes, a conduta configura desrespeito às medidas cautelares que proíbem Bolsonaro de utilizar redes sociais “diretamente ou por intermédio de terceiros” . O ministro entendeu que Flávio usou o direito de visita para obter um documento com a finalidade exclusiva de divulgá-lo, burlando a proibição imposta ao pai .
Além da suspensão das visitas, Moraes determinou que a defesa de Jair Bolsonaro preste esclarecimentos sobre a carta no prazo de 48 horas e encaminhou o caso ao procurador-geral eleitoral para avaliar eventual ocorrência de propaganda eleitoral antecipada .
Reação de Eduardo: questionamento à democracia
Morando em território norte-americano desde fevereiro deste ano e condenado pelo STF a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no processo judicial contra o pai, Eduardo Bolsonaro não poupou críticas .
“Se em todo um país apenas um prisioneiro é proibido de se comunicar com seu filho – e candidato à Presidência – por razões políticas, esta eleição não deveria, de antemão, ser reconhecida como democrática pelos países livres”, escreveu em publicação nas redes sociais .
Na sequência, o ex-parlamentar foi direto: “A sanção Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, deve ser restabelecida” .
O que é a Lei Magnitsky
A Lei Global Magnitsky, aprovada pelos Estados Unidos em 2012 e ampliada em 2016, permite ao governo americano impor sanções econômicas a estrangeiros acusados de violações graves de direitos humanos ou corrupção em larga escala .
Na prática, a punição bloqueia eventuais bens do sancionado em solo americano, proíbe transações com cidadãos e empresas dos EUA e pode levar ao cancelamento de cartões de crédito e contas bancárias .
Moraes foi incluído na lista de sancionados em julho de 2025, mas teve a punição revogada em dezembro do mesmo ano, após tratativas diplomáticas entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump . Na ocasião, o ministro classificou a sanção como “ilegal e lamentável” .
Histórico de tensão
A articulação de Eduardo Bolsonaro por sanções contra Moraes não é recente. Em julho de 2025, quando a punição foi aplicada pela primeira vez, ele comemorou como um “marco histórico” . O ex-deputado já havia admitido publicamente que continuaria trabalhando pelo retorno da Magnitsky, mesmo após a condenação no STF .
O episódio ocorre em meio a disputas internas no entorno de Jair Bolsonaro por sua sucessão política. Segundo interlocutores, o ex-presidente teria escrito a carta por estar incomodado com os atritos entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro .
Procurado, o STF não se manifestou sobre as declarações de Eduardo Bolsonaro.





