Caminhoneiros ameaçam greve geral e apontam Alcolumbre como responsável por paralisação

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A uma semana do prazo final, a Medida Provisória que endurece as regras do piso mínimo do frete voltou a acirrar os ânimos entre caminhoneiros e o Congresso. Lideranças da categoria ameaçam uma greve nacional caso o Senado não vote a proposta até o próximo dia 16 de julho, quando o texto perde a validade .

O alvo das críticas é o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que há três semanas mantém a MP 1.343/2026 fora da pauta do Plenário, mesmo após a aprovação pela Câmara dos Deputados . A expectativa de votação na última terça-feira (7) foi frustrada quando o texto sequer foi listado na ordem do dia .

“Briga de ego” e risco de desabastecimento

O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, foi direto ao culpado: “Presidente Davi Alcolumbre, o senhor não queira deixar a MP caducar. O senhor vai segurar uma greve nacional no teu nome” .

Em entrevista à VEJA, Landim afirmou que a categoria está “mais organizada do que em 2018” e que cerca de 60% dos caminhoneiros apoiariam uma paralisação caso a medida não seja aprovada . Ele atribui a demora a uma disputa política entre Alcolumbre e o presidente Lula — “uma briga de ego” que, segundo ele, não pode prejudicar a categoria .

O movimento já foi oficializado por meio de ofícios enviados ao Planalto e ao Senado, com alerta de que o desabastecimento pode se repetir nos mesmos moldes da greve de 2018 . O Sindicato dos Transportadores Autônomos da Baixada Santista deve convocar assembleia nos próximos dias, e algumas lideranças já falam em iniciar a paralisação na segunda-feira (13) .

O que está em jogo

A MP 1.343/2026, editada pelo governo em março para evitar uma greve da categoria, prevê um bloqueio digital que impede a emissão do Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT) quando o frete for inferior à tabela da ANTT . Também estabelece multas progressivas para reincidentes, que podem chegar a R1milha~o,ecriaumpisosalarialdeR1milha~o,ecriaumpisosalarialdeR 5 mil para motoristas CLT de longa distância .

O texto ainda inclui um dispositivo polêmico: o perdão de multas aplicadas em 2022, durante os bloqueios de rodovias após as eleições — medida que gerou críticas da oposição e abriu novo foco de debate .

Setores econômicos divergem

Enquanto os caminhoneiros defendem a aprovação integral, entidades ligadas ao agronegócio e à indústria criticam o endurecimento da fiscalização. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) afirma que o modelo da ANTT “não reflete a realidade do transporte no país” . A Fiesp acusa a proposta de “atropelar o livre mercado” e a CNI estima alta de 16% nos custos de frete .

O Congresso entra em recesso a partir de 18 de julho, o que aumenta a pressão para que o Senado vote o texto na próxima terça-feira (14), última janela possível antes do prazo final .

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