Reforma da Previdência volta ao centro do debate entre STF e aperto fiscal

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O tema da Previdência Social voltou a ocupar as manchetes e as salas de negociação do governo federal nas últimas semanas. O ressurgimento do debate, que parecia arrefecido após a aprovação da Emenda Constitucional 103/2019, tem dois gatilhos principais: decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) que afetam as regras de aposentadoria e a crescente pressão fiscal sobre as contas públicas, agravada pelo cenário de despesas obrigatórias em alta.

Em decisões monocráticas e colegiadas, ministros do STF têm analisado ações que questionam pontos da reforma, como a fórmula de cálculo do benefício e a chamada “regra de transição” para quem já estava no mercado de trabalho antes da vigência da nova lei. Embora os julgamentos ainda não tenham um desfecho definitivo, especialistas apontam que uma eventual mudança na interpretação judicial pode ampliar o déficit atuarial do regime geral.

Paralelamente, o Ministério da Fazenda sinaliza que o espaço no teto de gastos para 2026 é mais restrito do que o projetado inicialmente. O aumento do salário mínimo, indexado à inflação e ao crescimento do PIB, e o crescimento vegetativo da população idosa elevam a conta da Previdência, que já representa cerca de 45% do total dos gastos primários da União.

Nos bastidores, equipes econômicas avaliam a necessidade de novas medidas de ajuste, mas esbarram na resistência política do Congresso e na falta de consenso sobre o que seria uma “nova reforma” ou apenas um “ajuste fino”. Enquanto isso, entidades representativas de servidores e aposentados já anunciam que vão recorrer ao Judiciário caso haja tentativa de alteração unilateral de direitos adquiridos.

A expectativa é que o tema ganhe ainda mais força nas próximas semanas, com a votação de projetos complementares e a definição do Orçamento Geral da União, que deverá refletir se o governo optará pelo enxugamento de outras despesas ou pela retomada de mudanças estruturais no sistema previdenciário.

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