A Operação Cathedra Venalis, deflagrada na manhã desta terça-feira (20), teve como alvos 15 vereadores de Várzea Grande e Cuiabá, entre eles presidentes dos Legislativos municipais. A ação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) investiga suspeitas de corrupção e irregularidades envolvendo a eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.
Entre os alvos em Várzea Grande está o atual presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB), a diretora financeira da Câmara Lorineide Aparecida Trindade Inha, conhecida como Lori, e o secretário legislativo Samir Japonês (PL).
Também são investigados no município os vereadores Rogério de França Martins, conhecido como Rogerinho da Dakar (PSDB); Raul Curvo (Republicanos); Gisa Barros (Podemos); Cilcinho (PV); Braz Jaciro (PSDB); Alessandro Moreira (MDB); Wender Silva (Republicanos); Denival Galibert (PSB); Miguel Angel (Cidadania); Lucélia Oliveira (Agir); Kleberton Feitoza (PSB); e Emerson Cesar (PP).

Em Cuiabá, os alvos são o presidente eleito da Câmara Municipal, Ilde Taques (Podemos), e o vereador Alex Rodrigues (Podemos).
Ao todo, são cumpridos 30 mandados de busca e apreensão domiciliar, pessoal e veicular em endereços relacionados aos investigados em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.
O Gaeco apura a possível atuação de uma organização criminosa em crimes contra a Administração Pública.
A investigação busca reunir novas provas sobre possíveis irregularidades envolvendo a Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande.
Disputa pela Mesa
A eleição da Mesa Diretora da Câmara de Várzea Grande foi alvo de denúncias de suposta compra de votos e corrupção. Em maio deste ano, o Gaeco iniciou uma investigação sobre possíveis irregularidades nas articulações para a escolha do comando do Legislativo municipal.
A apuração teve início a partir de uma denúncia que aponta a existência de um grupo formado por vereadores e outros agentes públicos, supostamente envolvidos em crimes como ameaças, extorsão, chantagem, corrupção e cárcere privado.
A suspeita de cárcere privado está relacionada a um suposto confinamento organizado por Wanderley Cerqueira em uma chácara de Várzea Grande, dias antes da eleição.
Segundo a denúncia, ele teria reunido os 12 vereadores que o apoiavam para evitar o assédio de integrantes do Executivo e impedir mudanças de posicionamento às vésperas da disputa.
Na eleição, Cerqueira venceu o vereador Lucas do Chapéu do Sol (PL), aliado da prefeita Flávia Moretti (PL). O pleito antecipado para o biênio 2027/2028 havia sido autorizado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).
Em 21 de maio, no entanto, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou a eleição após acolher uma reclamação do vereador Bruno Rios (PL). Na decisão, o ministro apontou que a escolha da Mesa Diretora deveria respeitar o prazo estabelecido pela Corte, que permite a realização da votação somente a partir de outubro do ano anterior ao início do mandato.





