O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), colocou na mira o ex-deputado estadual Marcus Vinícius Neskau (PRD) por suspeita de não repassar recursos do fundo partidário ao diretório do partido no Mato Grosso do Sul. A informação foi confirmada por fontes ligadas à investigação, que apuram o destino das verbas destinadas à legenda no estado.
Neskau, cujo nome completo é Marcus Vinícius de Vasconcelos Ferreira, é uma figura central nas investigações que cercam o partido que já foi comandado por Roberto Jefferson. Ex-genro do ex-deputado, ele assumiu a presidência nacional do PTB em fevereiro de 2022, após uma disputa interna que resultou na destituição de Graciela Nienov. No entanto, sua gestão foi interrompida menos de dois meses depois, quando o próprio ministro Alexandre de Moraes determinou seu afastamento do cargo por 180 dias.
Na decisão, Moraes apontou indícios de que parte do valor devido ao fundo partidário do PTB estaria sendo utilizada para financiar a disseminação de ataques às instituições democráticas. O ministro também determinou que a Polícia Federal ouvisse Jefferson e Neskau no prazo de 15 dias.
Histórico de investigações
A trajetória política de Neskau é marcada por uma série de escândalos. Em 2018, ele foi preso temporariamente no âmbito da Operação Furna da Onça, que desarticulou um esquema de propinas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Segundo as investigações, o então deputado estadual recebia R$ 50 mil mensais para votar de acordo com os interesses do governo. A operação resultou na denúncia do ex-governador Sérgio Cabral e de outros dez parlamentares por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Neskau chegou a ter a posse suspensa após a prisão, mas retomou o mandato posteriormente por decisão da própria Alerj. Ele permaneceu no Legislativo fluminense até 2022, quando encerrou seu ciclo na casa.
Funcionários fantasmas na Fundação Leão XIII
Em outubro de 2022, uma reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, apontou Neskau como o elo político de um esquema de funcionários fantasmas na Fundação Leão XIII, órgão do governo estadual do Rio de Janeiro. De acordo com a investigação, pelo menos seis servidores nomeados por indicação do então presidente nacional do PTB recebiam salários sem comparecer ao trabalho. Alguns deles chegaram a admitir que foram indicados pelo parlamentar.
O presidente da fundação à época, Glauco André Wamburg, havia trabalhado como advogado de Neskau quando ele foi preso em 2018. Além disso, Petter Alves, que atuou como cabo eleitoral do deputado nas eleições daquele ano, foi contratado como assistente da fundação. Neskau negou as acusações por meio de nota, afirmando que não havia loteamento de cargos pelo PTB.
Fusão e novo cargo no PRD
Após a fusão do PTB com o Patriota, que deu origem ao Partido Renovação Democrática (PRD) em novembro de 2023, Neskau passou a ocupar a função de 1º tesoureiro-geral da nova sigla. Na cerimônia de posse realizada em São Paulo, o ex-senador Delcídio do Amaral foi empossado como presidente do PRD no Mato Grosso do Sul, enquanto Neskau, então presidente nacional do PTB, marcou presença no evento.
Agora, é justamente a atuação de Neskau como tesoureiro do PRD que chama a atenção do ministro Alexandre de Moraes. A investigação apura se o ex-deputado deixou de repassar ao diretório sul-mato-grossense os valores do fundo partidário a que o estado teria direito. O caso segue em sigilo no Supremo Tribunal Federal.





