MERCADO
Dólar fechou acima de R$ 5,22 em dia de tensão externa e cautela antes do primeiro turno.
O dólar comercial fechou a R$ 5,224, com alta de 0,97%, em uma sessão de maior aversão a risco no mercado internacional, segundo a Agência Brasil. O movimento foi acompanhado por forte valorização do petróleo: o Brent encerrou a US$ 102,31, avanço de 4,37%, enquanto o WTI chegou a US$ 92,87, alta de 2,71%.
O Ibovespa, por outro lado, terminou o pregão em alta de 0,46%, aos 187.197,46 pontos, apoiado principalmente pelas ações da Petrobras. A reportagem atribuiu o ambiente de cautela às tensões no Oriente Médio, ao impacto da alta do petróleo sobre inflação e juros e à proximidade do primeiro turno das eleições brasileiras.
Para famílias e empresas, dólar e petróleo não são números distantes. A alta da moeda encarece importados, peças, insumos, viagens, tecnologia e parte dos custos industriais. O petróleo caro pressiona combustíveis, frete, alimentos e expectativas de inflação. Quando esses movimentos encontram um país com incerteza fiscal, o efeito chega mais rápido ao bolso de quem trabalha.
É nesse ponto que a agenda econômica de responsabilidade ganha relevância. Governo que gasta sem limite, promete subsídio amplo ou tenta controlar preço por decreto apenas empurra a conta para frente. O mercado reage a risco, dívida, inflação, segurança jurídica e capacidade real de cumprir promessas. Nenhum discurso vence a aritmética.
Isso não significa ignorar fatores externos. Conflitos, oferta global de energia, decisões de grandes produtores e busca por ativos defensivos influenciam o câmbio. Mas a política interna determina quanto o Brasil é vulnerável quando o vento internacional vira contra. País com contas mais equilibradas, ambiente regulatório previsível e respeito ao investimento privado sofre menos.
Em ano eleitoral, a tentação do populismo econômico cresce. Candidatos prometem combustível barato, crédito subsidiado, gasto social sem fonte permanente e intervenção em setores sensíveis. A pergunta séria é quem paga. Se o Tesouro cobre a diferença, paga o contribuinte. Se a empresa é forçada a absorver prejuízo, cai investimento. Se vira dívida, sobem juros.
O fechamento do dólar acima de R$ 5,22 e o petróleo acima de US$ 100 são lembretes de que estabilidade exige disciplina. O eleitor deve cobrar propostas verificáveis para gasto público, segurança jurídica, produtividade e abertura a investimento. Também deve desconfiar de soluções fáceis para problemas caros, especialmente quando aparecem na véspera da votação.
Economia real não se sustenta com palanque. Ela depende de confiança, trabalho, empresa saudável e governo que respeita limite. Quando o governo erra, quem sente primeiro é a família que abastece, compra comida, paga conta de luz e tenta manter o orçamento em pé.
Fonte: Agência Brasil.





